O Grupo de Danças e Cantares Besclore foi fundado em 1987, é uma das vertentes do Grupo Cultural e Desportivo dos Trabalhadores do Grupo Novo Banco.

Composto por cerca de 40 elementos visa “recolher, representar, promover e divulgar as tradições, usos, costumes, danças e cantares do povo do Alto e Baixo Minho português”. Iniciando a sua representação etno-folclórica nas danças, nos cantares e no trajar do final do XIX, princípio do séc. XX.

O Grupo leva já alguns anos de actividade na exibição da policromia dos trajes de Viana do Castelo, do requinte dos trajes de Braga, da elegância das modas dos vales dos rios Ave e Este, e da vivacidade e alegria contagiante das modas da Ribeira Lima e Serras d`Arga e Soajo.

Tem ao longo dos anos participado em inúmeros espectáculos, festivais de folclore e romarias de Norte a Sul do Pais.Além de Portugal, o Besclore já se exibiu em Espanha, França, Inglaterra e Itália.


Fotografia de Grupo de Agosto de 2014
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Compasso Pascal no Minho



O Minho é uma região rica em costumes e tradições. A visita pascal, ou compasso, é uma das Festas mais marcantes. Bem cedo, em cada aldeia estoiram foguetes, tocam os sinos e sai a visita Pascal que percorre todas as casas que abrem as portas ao compasso. É bonito de se ver! Vizinhos e amigos apressam-se a desejar "Feliz Páscoa" ao dono e ao pessoal das casas: Feliz Páscoa! Aleluia! Aleluia!

Atapetam-se as ruas e os caminhos com flores. Grupos de pessoas correm de casa em casa, não esquecendo um vizinho, pobre ou rico, um amigo. É um reboliço! Há risadas e gritos. Beijos e abraços. Em cada casa põe-se uma farta mesa de iguarias, doces e salgadas, vinho do Porto, vinho corrente, e outras bebidas. Quando chega o compasso é o Pároco que saúda todos os presentes dizendo: "Paz a esta casa e a todos os seus habitantes, Aleluia", enquanto asperge com água benta a "sala grande" onde, por hábito, está colocada a "mesa".


Depois, o mordomo dá a cruz ornamentada a beijar ao dono que, depois de beijar a cruz, a dá a beijar aos presentes. O dono da casa ou a pessoa mais velha convida, então, o senhor Abade a sentar-se um bocadinho (que a caminhada é grande), oferecendo-lhe da "mesa" onde nada falta, desde o pão-de-ló até ao "sortido", passando pelo vinho da última colheita que graças a Deus, era de estalar … até ao vinho "fino", jeropiga ou algum licor conventual.


As pessoas abeiram-se, ordeiramente, da mesa e tudo come sem cerimónia, distinguindo, no entanto, o dono da casa, o pessoal do "compasso" a quem, depois, entrega o "folar" do senhor Abade (actualmente dinheiro num envelope fechado) e outras esmolas para as Almas e o Senhor, não esquecendo, também, o folar do rapazio da campainha e da caldeira.

Por volta do meio-dia, recolhe o compasso à Igreja para os elementos que o compõem irem almoçar. No final, uma girândola de foguetes diz que o "almoço" já terminou e que o ritual vai continuar da parte de tarde, visitando os restantes lugares e casas da freguesia e é ver novos e velhos a gozar um belo Domingo que só regressa 12 meses depois. Bem no fim da visita organiza-se uma procissão de retorno à Igreja e aí é ver toda a gente a entoar cânticos religiosos.



Páscoa por António Manuel Couto Viana


É tempo de Páscoa no Minho florido. Já se ouvem os trinos dos sinos festeiros Na igreja vestida de branco vestido, Entre o verde manso dos altos pinheiros.

Caminhos de aldeia, que o funcho recobre, Esperam, cheirosos, que passe o compasso À casa do rico, cabana do pobre... Já voam foguetes e pombas no espaço.

Lá vêm dois meninos, com opas vermelhas, Tocando a sineta. Logo atrás, o abade Já trôpego e lento. (As pernas são velhas? Mas no seu sorriso tudo é mocidade.)

Com que unção o moço sacristão, nos braços, Traz a cruz de prata que Jesus cativa, Para ser beijada! Enfeitam-na laços De fitas de seda e uma rosa viva.

Um outro, ajoujado ao peso das prendas (Não há quem não tenha seu pouco pra dar...) Traz, num largo cesto de nevadas rendas, Os ovos, o açúcar e os pães do folar.

Mais um outro, ainda, de hissope e caldeira Cheia de água benta, abre um guarda-sol. Seguem-nos, e alegram céus e terra inteira, Estrondos de bombos e gaitas de fole.

Haverá visita mais honrosa e bela? Famílias ajoelham. A cruz é beijada. (Pratos de arroz-doce, com flores de canela, Aguardam gulosos na mesa enfeitada.)

Santa Aleluia! Oh, festa maior! Haverá mais bela e honrosa visita? É tempo de Páscoa.
O Minho está em flor. Em cada alma pura Jesus ressuscita!

Fonte: blog Folclore de Portugal. 

VI Encontro de Tradições Minhotas da Cidade de Lisboa

No dia 13 de Abril de 2014 participámos no VI Encontro de Tradições Minhotas da Cidade de Lisboa, organizado pelo Grupo Etnográfico Danças e Cantares do Minho.



O encontro decorreu no Parque do Eucaliptos, Benfica, Lisboa e participaram para além do organizador mais dois grupos: Rancho Folclórico da Casa do Minho e o Grupo Danças e Cantares Besclore. 

Aqui ficam algumas fotografias  e vídeo dessa tarde.












Fontes: Fotografias cedidas por Carlos Gomes do Blog do Minho, fotografias retiradas do facebook do grupo organizador postadas por diversas pessoas. Vídeo retirado do youtube. 




 Historial do Grupo Etnográfico Danças e Cantares do Minho

Este Grupo foi fundado por minhotos residentes em Lisboa e que tem como objectivo recolher, preservar e divulgar a cultura tradicional minhota.

Desde a sua fundação em 16 de Maio de 1980, tem representado condignamente o Minho, não só em Portugal como também em Espanha, França, Alemanha, Suiça, Austria, Itália, Polónia, Hungria, Holanda, Marrocos, Japão (fez parte das comemorações dos 450 anos da chegada dos Portugueses a este País), Brasil, Eslováquia, Lituânia, Turquia e Malta.

O Grupo está sediado na Junta de Freguesia de Benfica, em Lisboa tendo actualmente a seu cargo a presidência da "Associação do Distrito de Lisboa para Defesa da Cultura Tradicional Portuguesa".




Fonte: http://grupoetnografico.no.sapo.pt/ , em Abril de 2014.

A Filigrana em Portugal

Remontando ao 3º milénio a.C., no Médio Oriente, a utilização da filigrana foi difundida periódicamente: na época romana mais recente; na Idade Média, na Sicília e em Veneza; na época Barroca; e em finais de 800 e princípios de 900.





Consiste numa sucessão de grãos, obtidos a partir de um fio ou de uma lâmina de ouro ou prata (com um utensílio apropriado, que pode ser uma matriz com um punção adaptado à forma pretendida), com fins decorativos. Consegue-se o mesmo efeito óptico com uma trança de dois ou mais fios do mesmo diâmetro. Á sucessão de cada grão (granito), soldados em fila segundo a técnica aperfeiçoada ao máximo pelos Etruscos, pode dar-se o nome de “Granulado”.

Como indica a palavra “fili” e “grana”, o trabalho consiste na utilização de uma trança de dois fios metálicos torcidos e achatados, de forma que se limite, pelos dois lados, a forma primitiva dos dois fios, moldando-os em forma de parafuso.

Arrecadas

Uma vez confeccionado, o fio é empregue no enchimento de uma armação, que constitui o desenho do objecto. Em Génova, cidade de marinheiros, esta estrutura recebeu o nome de “casco”, pela analogia com o casco de um navio que se recheia depois do lançamento; daí também o nome de “armação”.

Coração de Viana

A Filigrana, arte de trabalhar metais, é fundamentalmente uma técnica de ourivesaria, e insere-se no tipo de ourivesaria popular. Embora não sendo especifica da nossa tradição cultural, encontramo-la noutros países e culturas, constitui uma das formas mais características das artes portuguesas. Lembremos Joaquim de Vasconcelos, o estudioso e erudito revelador da nossa arte popular, que situa a filigrana e o filigraneiro no quadro da arte : «o oleiro, o ourives na filigrana, o feitor de jugos principalmente para citar só três, revelam-se os mais seguros e fieis adeptos da arte nacional. Eles nos conservam o alfabeto de formas decorativas mais rico, mais variado, mais puro, mais genuíno que uma nação pode apresentar» (Joaquim de Vasconcelos, Artes Decorativas, in “Notas sobre Portugal”, 1908).

Brincos à Rainha

Duas correntes têm acompanhado a filigrana ao longo do tempo, em relação à sua produção e uso.
Num primeiro momento, aparece como artefacto secundário da jóia, como técnica de primor e de «sentimento artístico», aplicada a adereços de luxo, de uso profano e sagrado, com apurado gosto no desenho, cujo imaginário e configuração artística a integravam num tipo de ourivesaria própria das classes mais elevadas da escala social. A filigrana foi aplicada em importantes peças de ourivesaria litúrgica, de que se são apurados exemplos o cálice de prata dourada do Mosteiro de Alcobaça, a Cruz de D. Sancho, exposta no Museu de Arte Antiga, as quais exemplificam o uso da filigrana, como ornato único. A filigrana vive então das jóias, nada valendo sem elas. Conotada como - técnica da aplicação – permanece com esta função até ao século XIX.

Custódia

Num segundo momento, no segundo quartel do século XIX, já como - técnica de integração - , a filigrana mais complexa e perfeita, mais segura, liberta-se da chapa de laminar que decorava, ganhando lugar de peça individualizada; sobre um esqueleto, estrutura ou armação, o filigraneiro teceu, ergueu, armou com fios delicados toda a «arquitectura» da sua obra.

Conta de Viana

O gosto pelas jóias de ouro filigranadas também se manifestou entre as classes superiores da época, assumindo-se como objectos de prestigio social para quem os usava. Porém classificada como arte popular, porque é produzida nos interregnos das tarefas campestres em certos locais, principalmente nos arredores do Porto. Surgem assim, os típicos corações de filigrana, alguns com grandes dimensões, os crucifixos, as cruzes de Malta, as arrecadas, os colares de conta, os brincos de fuso ou à rainha. Todo esse ouro filigranado é, não só um ornamento, como uma capitalização certa e segura de economia caseira, essencialmente rural.

Borboleta

A filigrana passa a encarnar o lamento de quem ocupou durante séculos o pedestal de gloria, para depois, numa idade mais avançada, se ver destronada, desprezada. Acusam-na de uma arte menor.
A tecnologia própria à filigrana abrange uma memória e um espaço sociais, isto porque cada técnica vai fixar-se num centro geográfico, numa época que permite tirar o máximo partido das riquezas dos processos e, em simultâneo, realizar uma difusão progressiva dos produtos.



Toda a filigrana portuguesa e consequentemente, se desenvolve de uma forma tradicionalista. Por isso, a forma, o modelo, a decoração, pouco tem variado desde há séculos relativamente à sua técnica.









Recomendo a visualização do vídeo Fabrico do Coração de Filigrana, realizado pela Associação Ao Norte. Aqui fica o link.

Fabrico do Coração de Filigrana






Fonte: http://trajesdeportugal.blogspot.pt/2006/07/filigrana-em-portugal.html - por Carlos Cardoso. Imagens retiradas do Google.

Serrada da Velha (ou Serração da Velha) - Tradição da Quaresma






A Serrada da Velha é uma antiga tradição popular, integrada nos rituais de passagem, ligada ao simbolismo da regeneração e renovação. A tradição tem lugar durante a quaresma em algumas localidades de Portugal.
um costume que se realiza a meio da Quaresma e é conhecido pelo nome de "Serra da Velha"(ou serração da velha).

"A Serra da Velha" é uma das tradições mais antigas. Durante a noite juntam-se os rapazes em grupos e por volta da meia noite começa a grande algazarra. Isto é realizado numa quarta-feira da Quaresma e serram-se aquelas mulheres de idade relativamente avançadas e solteiras, e atribuem-se-lhes os respectivos "dotes".

A tradição consiste em percorrer a aldeia em cortejo, parando à porta das "velhas a serrar". Chegando aí cantam em tom fúnebre, através de um embude, uma espécie de funil em tamanho grande e dizem:

- ESTA NOITE SERRA-SE A VELHA
- TU QUE DIZES RAPAZ, DIABO?
- SERRA-SE A VELHA ESTA NOITE .......
- ENTÃO, QUEM HAVEMOS DE SERRAR?
- HAVEMOS DE SERRAR .......... HAVEMOS DE SERRAR ......... A MARIA ALICE
- QUEM LHE HAVEMOS DE DAR?
- HAVEMOS DE LHE DAR ...... HAVEMOS DE LHE DAR ...... O FRANCISCO FREITAS
- E ELA QUERÊ-LO-Á?
- ELA QUERO-O, PORQUE TEM UMA BURRA BRANCA PARA A LEVAR À MISSA
- ENTÃO SERRAI-A ....... SERRAI-A .... SERRAI-A


E segue-se a animadíssima "algazarra" pelas ruas da aldeia para casa de outra "velha".

O Abade Baçal na obra Memórias Arqueológico-históricas refere-se à "Serra da Velha" do seguinte modo:
" Estamos no meio da Quaresma já a Páscoa vai chegando uns dizem serra-se a velha os outros a velha seja serrada".


Quadras da serrada da velha em Paredes de Coura:

Nós vamos serrar a velha
Na noite que nos é dado
Serra-se a velha, serra-se a nova
Serra-se a velha, a velha, a velha

Serra-se a velha para o forro
E a nova para o tabuado
Serra-se a velha, serra-se a nova
Serra-se a velha, a velha, a velha

Minha mãe tem um pandeiro
E não sabe tocar
Serra-se a velha, serra-se a nova
Serra-se a velha, a velha, a velha

Só toca a minha tia
Ou toca a minha avó
Serra-se a velha, serra-se a nova
Serra-se a velha, a velha, a velha

XI Festa do Vinho e XV Encontro de Tocadores Tradicionais

No dia 29 de Março participámos mais uma vez na Festa do Vinho e no Encontro de Tocadores Tradicionais, em Alcanhões. 


A festa do vinho de Alcanhões trouxe muita animação a esta vila do concelho de Santarém numa iniciativa cujo ponto alto é o périplo pelas adegas dos produtores locais.



Adega do Chambeta

A animada rota pelas sete adegas, acompanhada por tocadores de instrumentos tradicionais, iniciou-se às 16 horas, depois de uma recepção aos participantes no salão nobre da Junta de Freguesia, que organiza esta 11ª edição da festa do vinho.



Na volta pelas adegas, onde o vinho se prova e se degustam, “para lastro”, os petiscos que cada adegueiro prima em oferecer. Provam-se os néctares do Nelson Soares, do Escrivaninha, do Pedro Rocha, do Duarte Durão & Filhos, do Chambeta e do Marco Durão, finalizando o percurso na Adega Cooperativa.




Na animação de rua, ao compasso dos bebedores, os tocadores de cavaquinho, dos banjos, das gaitas de beiços, das concertinas, das violas campaniças e das braguesas. Fôlego de meter inveja, estes animadores encerraram, pelas 22h00, o XV Encontro de Tocadores Tradicionais.

No XV Encontro de Tocadores Tradicionais participaram: Rancho Folclórico de Alcanhões, Rancho Folclórico da Casa do Minho em Lisboa, Grupo Danças e Cantares Besclore, Grupo de Folclore Terras da Nóbrega,  Rancho Folclórico da Freguesia da Lapa (Cartaxo), Rancho Folclórico da Azambuja, entre outros tocadores.



Este encontro de tocadores ajuda à preservação dos instrumentos tradicionais, que correm sério risco em desaparecerem à medida que envelhecem os seus executantes, incentivando os mais jovens a tomar-lhes o lugar; é um património único, que não se pode perder. - por  João Costa - Rancho Folclórico de Alcanhões.


Aqui ficam algumas fotografias e vídeos da participação do G.D.C. Besclore na Festa do Vinho.














A Vila de Alcanhões


Situada a norte de Santarém, Alcanhões corre por uma colina sobranceira à cidade e anicha-se à volta da igreja matriz. Debruçada sobre o Rio Tejo e rodeada de vinhedos e olivais, a freguesia de Alcanhões (antiga paróquia de Santa Martha) dista 10 quilómetros da sede do Concelho. 
Casario branco, virado a nascente, terra soalheira beijada de nascente a poente. Conta com uma área de cerca de onze quilómetros quadrados e cerca de 1700 habitantes.

Ao longo dos séculos, Alcanhões albergou por várias vezes a corte, no Paço Real de Alcanhões, especialmente no reinado de D. Fernando, conforme refere Fernão Lopes na crónica de D. Fernando.

A sede da freguesia foi elevada à categoria de vila em 21 de Março de 1928, devido ao seu desenvolvimento.

A vinicultura (são famosos os vinhos da Adega Cooperativa), a agricultura, (oliveira, milho e uva de mesa) e a pecuária (gado equino e bovino para eventos tauromáquicos) são as actividades tradicionais, a indústria, nomeadamente a carpintaria e metalomecânica, ganham peso crescente na economia local.

No religioso, é Santa Marta o expoente ancestral destas gentes que emanam paz e são laboriosas...



No seu brazão, o dragão simboliza o animal mitológico derrotado por Santa Marta, orago e padroeira da freguesia. Os cachos de uvas evocam a grande importância que desde sempre, a agricultura teve na freguesia, nomeadamente com a produção dos afamados e apreciados vinhos de Alcanhões. A fonte lembra as velhas termas de Alcanhões cujo caudal ainda hoje se preserva e a grande riqueza que a freguesia possui com abundância e excelência das suas águas.

Nas festividades conta anualmente com a feira de Santa Marta em finais de Julho e com outras festas e romarias organizadas por associações e grupos.


Fonte: http://www.oribatejo.pt/2014/03/28/folclore-dinamiza-alcanhoes/ ; http://www.rederegional.com/index.php/cultura/8031-festa-do-vinho-promete-animar-alcanhoes.html; Site da junta de freguesia de Alcanhões, Fotografias de Vera Augusto, google.

Angariação de Fundos - R.F. Florinhas do Alto Minho

No dia 23 de Março, o Rancho Folclórico As Florinhas do Alto Minho organizaram uma angariação de fundos em que para além do grupo organizador contou com a presença do Rancho Folclórico da Casa do Minho e do Grupo de Danças e Cantares Besclore.







Fonte: Vídeo retirado do youtube - recolhido e editado por zezefaria

Desfolhada



A desfolhada tradicional é um duro trabalho agrícola em que se retira a espiga (ou maçaroca) da planta.

Antigamente, marcavam - se o dia das desfolhadas com os vizinhos, a família e os amigos. Durante o dia, juntavam - se os lavradores e cortavam o milho com uma foicinha.

À medida que se desfolha vai - se amontoando as espigas em cestos que, depois de cheios, são carregados no carro de bois para ser despejados no canastro ou espigueiro.



A palha do milho servia para a alimentação dos animais . Os jovens participavam entusiasmados nas desfolhadas, sempre na esperança de encontrar o milho rei (espiga vermelha) para poderem dar um beijo ou um abraço à namorada (é que o feliz achador tem a obrigação de gritar bem alto: Milho rei!- e o direito de dar uma volta a todos os trabalhadores, distribuindo abraços). Antigamente, esta era uma oportunidade única para se aproximar fisicamente das raparigas, das namoradas, até das noivas porque, na época as convenções sociais eram muitas e a vigilância por parte dos pais era muito apertada.


À noite, à luz das candeias faziam - se grandes desfolhadas, dançava - se e cantava - se, ao som da concertina. Apesar do cansaço, as desfolhadas eram sempre motivos de grandes satisfações e alegrias para aqueles que nelas participavam.



As desfolhadas da aldeia 
são cheias de vida e cor 
até a luz da candeia, 
suspiram versos de amor.


Ai as desfolhadas, lindas desfolhadas
onde as raparigas vão todas lavadas,
saem de casa preparam-se bem
porque os seus amores  lá irão também.


Recomendo a visualização do documentário Milho à Terra, da Associação ao Norte.


Entrudo no Alto Minho, o Pai Velho no Lindoso - Ponte da Barca





Entrudo e Carnaval são duas palavras com etimologias diferentes mas significando este mesmo período que vai desde o Domingo da Septuagésima até à Quarta - Feira de Cinzas.  Entrudo, deriva do latim (introitus) significando "entrada" ou começo do ano, da primavera ou, mesmo, da entrada da Quaresma.

As interpretações, dentro da tradição romana remontam às Saturnalias, festas em honra de Saturno cujos ritos e cerimonias tinham como objectivo despertar do novo ciclo da Mãe / Natureza; às Lupercalias, que se celebravam ao redor do 15 de Fevereiro, assegurando a fecundidade dos homens, animais e campos e às Matronalias, festa dedicada às mulheres que nestas datas tinham poderes especiais sobre os homens.

Quanto à origem Grega provém das festas em honra de Dionísios, Deus do vinho e da inspiração.

É com o aparecimento da cultura cristã que o Entrudo nos aparece como celebração fortemente ligada ao período abstinencial imposto durante o período da Quaresma.

Outras etimologias são atribuídas à palavra Carnaval: uma Italiana "Carnevale" isto é proibir a carne, em período de quaresma; uma outra origem celta ou germânica, ligada aos " Carrus Navalis" isto é, barcos com rodas, apresentação tão querida dos romanos que passeavam assim o seu "Carnaval".

Seja como for o Entrudo ou Carnaval seria uma festa cujo significado e vivência estará sempre de acordo com a cultura de cada povo. Representando um subconsciente colectivo, não deixa de ser, também, uma festa de liberdade, onde tudo é permitido fazer-se, e onde preceitos e costumes se esquecem para permanecer durante três dias o quase "vale tudo". 

Válvula de segurança do sistema de poder ( cansados da vida rotineira de um ano), há um clássico abrandamento da autoridade no Entrudo sempre mais atenta à problemática social que às manifestações lúdicas e festivas. Por isso, as máscaras, a censura popular e a moda colectiva de se parodiar toda uma existência satirizando-se, ridicularizando, causticando, virando-se, praticamente, tudo do avesso: os homens viram mulheres; as mulheres, homens e a máscara é a caricatura da própria vida local.

No Alto Minho, felizmente, o Carnaval vai-se mantendo em todos os Concelhos com os tradicionais corsos. Porém, a tradição obriga-nos a ir até ao Lindoso (Ponte da Barca) e, ai, assistir aos cortejos imemoriais do Pai Velho.


PAI VELHO


Quem é este Pai Velho? Uma espécie de despedida do Inverno e o acolhimento à Primavera que está a chegar? Recordação das festas dos "loucos medievais", colocando um ponto final ao tempo de excessos que precedem a Quarta – Feira de cinzas ? O rito da fecundidade estimulado por uma nova seiva que vai surgir após as longas noites do solstício do Inverno?

O cerimonial mantem-se quase com os mesmos ingredientes medievos que encontramos na "Vaca das Cordas", ou na "Procissão do Corpo de Deus", em Monção com a tradição do Boi Bento, do Carro das Ervas, do Dragão e do S. Jorge, ou na Senhora D’Agonia com os seus Gigantones e Cabeçudos. Cumpre-se a tradição em Terras do Lindoso, sempre na época do Entrudo, nos lugares de Castelo e de Parada. Em dias de Domingo Gordo e Terça – feira de Carnaval .

Em frente aos espigueiros e à eira comunitária, tendo como cenário o Castelo Medievo, o busto de madeira do Pai Velho transportado num carro de bois, seguido de outro carro de bois, Carro das Ervas, engalanados, com a chiadeira habitual, tilintando de campainhas e com as cangas ornamentadas de monelhas, ramos de flores em cada chifre; à frente a lavradeira, camponesa rústica qual loura Ceres ( Deusa da Fecundidade), bem ourada com os cordões das avós; atrás as rusgas de concertinas, bombos, ferrinhos e castanholas e a que não faltam as máscaras dos mais foliões… eis os cortejos de Domingo Gordo no lugar do Castelo, depois da missa (11.00 horas ) e, da parte de tarde, no lugar de Parada (14.30 horas), com idêntico cerimonial. Tudo se esconde até terça – feira de carnaval onde idênticos cortejos se realizam ainda com festa mais rija, para terminar depois dos bailaricos, nos dois lugares, com o enterro do Pai Velho, cerca da meia noite, em que se atinge o clímax do ritual colectivo concretizado na queima do boneco de palha e a leitura do seu testamento. Pai Velho que não despensa o "seu" ritual gastronómico em dia de Domingo Gordo.

E são os rapazes e raparigas que cantam os Reis que tem a obrigação da ceia composta pelo tradicional cozido onde não faltam a orelheira, salpicão de fumeiro, tracanaz de presunto (e o que lhe davam mais), os chispes (unhas de porco) e o focinho do reco. Se lhe acrescentarmos umas boas costelas barrosãs e um pé descalço, mais umas chouriças de cabaço, ai temos o cozido do Lindoso em honra do Pai Velho: duas travessas fumegantes a rescender a sabores de salgadeira, da vezeira e do quinteiro: a das carnes; outra com batatas, cenoura e couve galega; o alguidar tortulho com arroz branco e rodelas de chouriça, paio e salpicão, tudo acompanhado de um verde tinto a deixar nas malgas vidradas uma velatura de musselina rósea. E as grâ - mestras da cozinha do Lindoso a dizerem-me prazenteiras e sorridentes: bom proveito, que lh’apreste. 




Fonte: http://www.gastronomias.com/cronicas/entrudo.htm , Texto de Dr. Francisco José Torres Sampaio - Presidente da RTAM (Região de turismo do Alto Minho)