O Grupo de Danças e Cantares Besclore foi fundado em 1987, é uma das vertentes do Grupo Cultural e Desportivo dos Trabalhadores do Grupo Novo Banco.

Composto por cerca de 40 elementos visa “recolher, representar, promover e divulgar as tradições, usos, costumes, danças e cantares do povo do Alto e Baixo Minho português”. Iniciando a sua representação etno-folclórica nas danças, nos cantares e no trajar do final do XIX, princípio do séc. XX.

O Grupo leva já alguns anos de actividade na exibição da policromia dos trajes de Viana do Castelo, do requinte dos trajes de Braga, da elegância das modas dos vales dos rios Ave e Este, e da vivacidade e alegria contagiante das modas da Ribeira Lima e Serras d`Arga e Soajo.

Tem ao longo dos anos participado em inúmeros espectáculos, festivais de folclore e romarias de Norte a Sul do Pais.Além de Portugal, o Besclore já se exibiu em Espanha, França, Inglaterra e Itália.


Fotografia de Grupo de Agosto de 2014
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A Filigrana em Portugal

Remontando ao 3º milénio a.C., no Médio Oriente, a utilização da filigrana foi difundida periódicamente: na época romana mais recente; na Idade Média, na Sicília e em Veneza; na época Barroca; e em finais de 800 e princípios de 900.





Consiste numa sucessão de grãos, obtidos a partir de um fio ou de uma lâmina de ouro ou prata (com um utensílio apropriado, que pode ser uma matriz com um punção adaptado à forma pretendida), com fins decorativos. Consegue-se o mesmo efeito óptico com uma trança de dois ou mais fios do mesmo diâmetro. Á sucessão de cada grão (granito), soldados em fila segundo a técnica aperfeiçoada ao máximo pelos Etruscos, pode dar-se o nome de “Granulado”.

Como indica a palavra “fili” e “grana”, o trabalho consiste na utilização de uma trança de dois fios metálicos torcidos e achatados, de forma que se limite, pelos dois lados, a forma primitiva dos dois fios, moldando-os em forma de parafuso.

Arrecadas

Uma vez confeccionado, o fio é empregue no enchimento de uma armação, que constitui o desenho do objecto. Em Génova, cidade de marinheiros, esta estrutura recebeu o nome de “casco”, pela analogia com o casco de um navio que se recheia depois do lançamento; daí também o nome de “armação”.

Coração de Viana

A Filigrana, arte de trabalhar metais, é fundamentalmente uma técnica de ourivesaria, e insere-se no tipo de ourivesaria popular. Embora não sendo especifica da nossa tradição cultural, encontramo-la noutros países e culturas, constitui uma das formas mais características das artes portuguesas. Lembremos Joaquim de Vasconcelos, o estudioso e erudito revelador da nossa arte popular, que situa a filigrana e o filigraneiro no quadro da arte : «o oleiro, o ourives na filigrana, o feitor de jugos principalmente para citar só três, revelam-se os mais seguros e fieis adeptos da arte nacional. Eles nos conservam o alfabeto de formas decorativas mais rico, mais variado, mais puro, mais genuíno que uma nação pode apresentar» (Joaquim de Vasconcelos, Artes Decorativas, in “Notas sobre Portugal”, 1908).

Brincos à Rainha

Duas correntes têm acompanhado a filigrana ao longo do tempo, em relação à sua produção e uso.
Num primeiro momento, aparece como artefacto secundário da jóia, como técnica de primor e de «sentimento artístico», aplicada a adereços de luxo, de uso profano e sagrado, com apurado gosto no desenho, cujo imaginário e configuração artística a integravam num tipo de ourivesaria própria das classes mais elevadas da escala social. A filigrana foi aplicada em importantes peças de ourivesaria litúrgica, de que se são apurados exemplos o cálice de prata dourada do Mosteiro de Alcobaça, a Cruz de D. Sancho, exposta no Museu de Arte Antiga, as quais exemplificam o uso da filigrana, como ornato único. A filigrana vive então das jóias, nada valendo sem elas. Conotada como - técnica da aplicação – permanece com esta função até ao século XIX.

Custódia

Num segundo momento, no segundo quartel do século XIX, já como - técnica de integração - , a filigrana mais complexa e perfeita, mais segura, liberta-se da chapa de laminar que decorava, ganhando lugar de peça individualizada; sobre um esqueleto, estrutura ou armação, o filigraneiro teceu, ergueu, armou com fios delicados toda a «arquitectura» da sua obra.

Conta de Viana

O gosto pelas jóias de ouro filigranadas também se manifestou entre as classes superiores da época, assumindo-se como objectos de prestigio social para quem os usava. Porém classificada como arte popular, porque é produzida nos interregnos das tarefas campestres em certos locais, principalmente nos arredores do Porto. Surgem assim, os típicos corações de filigrana, alguns com grandes dimensões, os crucifixos, as cruzes de Malta, as arrecadas, os colares de conta, os brincos de fuso ou à rainha. Todo esse ouro filigranado é, não só um ornamento, como uma capitalização certa e segura de economia caseira, essencialmente rural.

Borboleta

A filigrana passa a encarnar o lamento de quem ocupou durante séculos o pedestal de gloria, para depois, numa idade mais avançada, se ver destronada, desprezada. Acusam-na de uma arte menor.
A tecnologia própria à filigrana abrange uma memória e um espaço sociais, isto porque cada técnica vai fixar-se num centro geográfico, numa época que permite tirar o máximo partido das riquezas dos processos e, em simultâneo, realizar uma difusão progressiva dos produtos.



Toda a filigrana portuguesa e consequentemente, se desenvolve de uma forma tradicionalista. Por isso, a forma, o modelo, a decoração, pouco tem variado desde há séculos relativamente à sua técnica.









Recomendo a visualização do vídeo Fabrico do Coração de Filigrana, realizado pela Associação Ao Norte. Aqui fica o link.

Fabrico do Coração de Filigrana






Fonte: http://trajesdeportugal.blogspot.pt/2006/07/filigrana-em-portugal.html - por Carlos Cardoso. Imagens retiradas do Google.

Serrada da Velha (ou Serração da Velha) - Tradição da Quaresma






A Serrada da Velha é uma antiga tradição popular, integrada nos rituais de passagem, ligada ao simbolismo da regeneração e renovação. A tradição tem lugar durante a quaresma em algumas localidades de Portugal.
um costume que se realiza a meio da Quaresma e é conhecido pelo nome de "Serra da Velha"(ou serração da velha).

"A Serra da Velha" é uma das tradições mais antigas. Durante a noite juntam-se os rapazes em grupos e por volta da meia noite começa a grande algazarra. Isto é realizado numa quarta-feira da Quaresma e serram-se aquelas mulheres de idade relativamente avançadas e solteiras, e atribuem-se-lhes os respectivos "dotes".

A tradição consiste em percorrer a aldeia em cortejo, parando à porta das "velhas a serrar". Chegando aí cantam em tom fúnebre, através de um embude, uma espécie de funil em tamanho grande e dizem:

- ESTA NOITE SERRA-SE A VELHA
- TU QUE DIZES RAPAZ, DIABO?
- SERRA-SE A VELHA ESTA NOITE .......
- ENTÃO, QUEM HAVEMOS DE SERRAR?
- HAVEMOS DE SERRAR .......... HAVEMOS DE SERRAR ......... A MARIA ALICE
- QUEM LHE HAVEMOS DE DAR?
- HAVEMOS DE LHE DAR ...... HAVEMOS DE LHE DAR ...... O FRANCISCO FREITAS
- E ELA QUERÊ-LO-Á?
- ELA QUERO-O, PORQUE TEM UMA BURRA BRANCA PARA A LEVAR À MISSA
- ENTÃO SERRAI-A ....... SERRAI-A .... SERRAI-A


E segue-se a animadíssima "algazarra" pelas ruas da aldeia para casa de outra "velha".

O Abade Baçal na obra Memórias Arqueológico-históricas refere-se à "Serra da Velha" do seguinte modo:
" Estamos no meio da Quaresma já a Páscoa vai chegando uns dizem serra-se a velha os outros a velha seja serrada".


Quadras da serrada da velha em Paredes de Coura:

Nós vamos serrar a velha
Na noite que nos é dado
Serra-se a velha, serra-se a nova
Serra-se a velha, a velha, a velha

Serra-se a velha para o forro
E a nova para o tabuado
Serra-se a velha, serra-se a nova
Serra-se a velha, a velha, a velha

Minha mãe tem um pandeiro
E não sabe tocar
Serra-se a velha, serra-se a nova
Serra-se a velha, a velha, a velha

Só toca a minha tia
Ou toca a minha avó
Serra-se a velha, serra-se a nova
Serra-se a velha, a velha, a velha

XI Festa do Vinho e XV Encontro de Tocadores Tradicionais

No dia 29 de Março participámos mais uma vez na Festa do Vinho e no Encontro de Tocadores Tradicionais, em Alcanhões. 


A festa do vinho de Alcanhões trouxe muita animação a esta vila do concelho de Santarém numa iniciativa cujo ponto alto é o périplo pelas adegas dos produtores locais.



Adega do Chambeta

A animada rota pelas sete adegas, acompanhada por tocadores de instrumentos tradicionais, iniciou-se às 16 horas, depois de uma recepção aos participantes no salão nobre da Junta de Freguesia, que organiza esta 11ª edição da festa do vinho.



Na volta pelas adegas, onde o vinho se prova e se degustam, “para lastro”, os petiscos que cada adegueiro prima em oferecer. Provam-se os néctares do Nelson Soares, do Escrivaninha, do Pedro Rocha, do Duarte Durão & Filhos, do Chambeta e do Marco Durão, finalizando o percurso na Adega Cooperativa.




Na animação de rua, ao compasso dos bebedores, os tocadores de cavaquinho, dos banjos, das gaitas de beiços, das concertinas, das violas campaniças e das braguesas. Fôlego de meter inveja, estes animadores encerraram, pelas 22h00, o XV Encontro de Tocadores Tradicionais.

No XV Encontro de Tocadores Tradicionais participaram: Rancho Folclórico de Alcanhões, Rancho Folclórico da Casa do Minho em Lisboa, Grupo Danças e Cantares Besclore, Grupo de Folclore Terras da Nóbrega,  Rancho Folclórico da Freguesia da Lapa (Cartaxo), Rancho Folclórico da Azambuja, entre outros tocadores.



Este encontro de tocadores ajuda à preservação dos instrumentos tradicionais, que correm sério risco em desaparecerem à medida que envelhecem os seus executantes, incentivando os mais jovens a tomar-lhes o lugar; é um património único, que não se pode perder. - por  João Costa - Rancho Folclórico de Alcanhões.


Aqui ficam algumas fotografias e vídeos da participação do G.D.C. Besclore na Festa do Vinho.














A Vila de Alcanhões


Situada a norte de Santarém, Alcanhões corre por uma colina sobranceira à cidade e anicha-se à volta da igreja matriz. Debruçada sobre o Rio Tejo e rodeada de vinhedos e olivais, a freguesia de Alcanhões (antiga paróquia de Santa Martha) dista 10 quilómetros da sede do Concelho. 
Casario branco, virado a nascente, terra soalheira beijada de nascente a poente. Conta com uma área de cerca de onze quilómetros quadrados e cerca de 1700 habitantes.

Ao longo dos séculos, Alcanhões albergou por várias vezes a corte, no Paço Real de Alcanhões, especialmente no reinado de D. Fernando, conforme refere Fernão Lopes na crónica de D. Fernando.

A sede da freguesia foi elevada à categoria de vila em 21 de Março de 1928, devido ao seu desenvolvimento.

A vinicultura (são famosos os vinhos da Adega Cooperativa), a agricultura, (oliveira, milho e uva de mesa) e a pecuária (gado equino e bovino para eventos tauromáquicos) são as actividades tradicionais, a indústria, nomeadamente a carpintaria e metalomecânica, ganham peso crescente na economia local.

No religioso, é Santa Marta o expoente ancestral destas gentes que emanam paz e são laboriosas...



No seu brazão, o dragão simboliza o animal mitológico derrotado por Santa Marta, orago e padroeira da freguesia. Os cachos de uvas evocam a grande importância que desde sempre, a agricultura teve na freguesia, nomeadamente com a produção dos afamados e apreciados vinhos de Alcanhões. A fonte lembra as velhas termas de Alcanhões cujo caudal ainda hoje se preserva e a grande riqueza que a freguesia possui com abundância e excelência das suas águas.

Nas festividades conta anualmente com a feira de Santa Marta em finais de Julho e com outras festas e romarias organizadas por associações e grupos.


Fonte: http://www.oribatejo.pt/2014/03/28/folclore-dinamiza-alcanhoes/ ; http://www.rederegional.com/index.php/cultura/8031-festa-do-vinho-promete-animar-alcanhoes.html; Site da junta de freguesia de Alcanhões, Fotografias de Vera Augusto, google.

Angariação de Fundos - R.F. Florinhas do Alto Minho

No dia 23 de Março, o Rancho Folclórico As Florinhas do Alto Minho organizaram uma angariação de fundos em que para além do grupo organizador contou com a presença do Rancho Folclórico da Casa do Minho e do Grupo de Danças e Cantares Besclore.







Fonte: Vídeo retirado do youtube - recolhido e editado por zezefaria

Desfolhada



A desfolhada tradicional é um duro trabalho agrícola em que se retira a espiga (ou maçaroca) da planta.

Antigamente, marcavam - se o dia das desfolhadas com os vizinhos, a família e os amigos. Durante o dia, juntavam - se os lavradores e cortavam o milho com uma foicinha.

À medida que se desfolha vai - se amontoando as espigas em cestos que, depois de cheios, são carregados no carro de bois para ser despejados no canastro ou espigueiro.



A palha do milho servia para a alimentação dos animais . Os jovens participavam entusiasmados nas desfolhadas, sempre na esperança de encontrar o milho rei (espiga vermelha) para poderem dar um beijo ou um abraço à namorada (é que o feliz achador tem a obrigação de gritar bem alto: Milho rei!- e o direito de dar uma volta a todos os trabalhadores, distribuindo abraços). Antigamente, esta era uma oportunidade única para se aproximar fisicamente das raparigas, das namoradas, até das noivas porque, na época as convenções sociais eram muitas e a vigilância por parte dos pais era muito apertada.


À noite, à luz das candeias faziam - se grandes desfolhadas, dançava - se e cantava - se, ao som da concertina. Apesar do cansaço, as desfolhadas eram sempre motivos de grandes satisfações e alegrias para aqueles que nelas participavam.



As desfolhadas da aldeia 
são cheias de vida e cor 
até a luz da candeia, 
suspiram versos de amor.


Ai as desfolhadas, lindas desfolhadas
onde as raparigas vão todas lavadas,
saem de casa preparam-se bem
porque os seus amores  lá irão também.


Recomendo a visualização do documentário Milho à Terra, da Associação ao Norte.


Entrudo no Alto Minho, o Pai Velho no Lindoso - Ponte da Barca





Entrudo e Carnaval são duas palavras com etimologias diferentes mas significando este mesmo período que vai desde o Domingo da Septuagésima até à Quarta - Feira de Cinzas.  Entrudo, deriva do latim (introitus) significando "entrada" ou começo do ano, da primavera ou, mesmo, da entrada da Quaresma.

As interpretações, dentro da tradição romana remontam às Saturnalias, festas em honra de Saturno cujos ritos e cerimonias tinham como objectivo despertar do novo ciclo da Mãe / Natureza; às Lupercalias, que se celebravam ao redor do 15 de Fevereiro, assegurando a fecundidade dos homens, animais e campos e às Matronalias, festa dedicada às mulheres que nestas datas tinham poderes especiais sobre os homens.

Quanto à origem Grega provém das festas em honra de Dionísios, Deus do vinho e da inspiração.

É com o aparecimento da cultura cristã que o Entrudo nos aparece como celebração fortemente ligada ao período abstinencial imposto durante o período da Quaresma.

Outras etimologias são atribuídas à palavra Carnaval: uma Italiana "Carnevale" isto é proibir a carne, em período de quaresma; uma outra origem celta ou germânica, ligada aos " Carrus Navalis" isto é, barcos com rodas, apresentação tão querida dos romanos que passeavam assim o seu "Carnaval".

Seja como for o Entrudo ou Carnaval seria uma festa cujo significado e vivência estará sempre de acordo com a cultura de cada povo. Representando um subconsciente colectivo, não deixa de ser, também, uma festa de liberdade, onde tudo é permitido fazer-se, e onde preceitos e costumes se esquecem para permanecer durante três dias o quase "vale tudo". 

Válvula de segurança do sistema de poder ( cansados da vida rotineira de um ano), há um clássico abrandamento da autoridade no Entrudo sempre mais atenta à problemática social que às manifestações lúdicas e festivas. Por isso, as máscaras, a censura popular e a moda colectiva de se parodiar toda uma existência satirizando-se, ridicularizando, causticando, virando-se, praticamente, tudo do avesso: os homens viram mulheres; as mulheres, homens e a máscara é a caricatura da própria vida local.

No Alto Minho, felizmente, o Carnaval vai-se mantendo em todos os Concelhos com os tradicionais corsos. Porém, a tradição obriga-nos a ir até ao Lindoso (Ponte da Barca) e, ai, assistir aos cortejos imemoriais do Pai Velho.


PAI VELHO


Quem é este Pai Velho? Uma espécie de despedida do Inverno e o acolhimento à Primavera que está a chegar? Recordação das festas dos "loucos medievais", colocando um ponto final ao tempo de excessos que precedem a Quarta – Feira de cinzas ? O rito da fecundidade estimulado por uma nova seiva que vai surgir após as longas noites do solstício do Inverno?

O cerimonial mantem-se quase com os mesmos ingredientes medievos que encontramos na "Vaca das Cordas", ou na "Procissão do Corpo de Deus", em Monção com a tradição do Boi Bento, do Carro das Ervas, do Dragão e do S. Jorge, ou na Senhora D’Agonia com os seus Gigantones e Cabeçudos. Cumpre-se a tradição em Terras do Lindoso, sempre na época do Entrudo, nos lugares de Castelo e de Parada. Em dias de Domingo Gordo e Terça – feira de Carnaval .

Em frente aos espigueiros e à eira comunitária, tendo como cenário o Castelo Medievo, o busto de madeira do Pai Velho transportado num carro de bois, seguido de outro carro de bois, Carro das Ervas, engalanados, com a chiadeira habitual, tilintando de campainhas e com as cangas ornamentadas de monelhas, ramos de flores em cada chifre; à frente a lavradeira, camponesa rústica qual loura Ceres ( Deusa da Fecundidade), bem ourada com os cordões das avós; atrás as rusgas de concertinas, bombos, ferrinhos e castanholas e a que não faltam as máscaras dos mais foliões… eis os cortejos de Domingo Gordo no lugar do Castelo, depois da missa (11.00 horas ) e, da parte de tarde, no lugar de Parada (14.30 horas), com idêntico cerimonial. Tudo se esconde até terça – feira de carnaval onde idênticos cortejos se realizam ainda com festa mais rija, para terminar depois dos bailaricos, nos dois lugares, com o enterro do Pai Velho, cerca da meia noite, em que se atinge o clímax do ritual colectivo concretizado na queima do boneco de palha e a leitura do seu testamento. Pai Velho que não despensa o "seu" ritual gastronómico em dia de Domingo Gordo.

E são os rapazes e raparigas que cantam os Reis que tem a obrigação da ceia composta pelo tradicional cozido onde não faltam a orelheira, salpicão de fumeiro, tracanaz de presunto (e o que lhe davam mais), os chispes (unhas de porco) e o focinho do reco. Se lhe acrescentarmos umas boas costelas barrosãs e um pé descalço, mais umas chouriças de cabaço, ai temos o cozido do Lindoso em honra do Pai Velho: duas travessas fumegantes a rescender a sabores de salgadeira, da vezeira e do quinteiro: a das carnes; outra com batatas, cenoura e couve galega; o alguidar tortulho com arroz branco e rodelas de chouriça, paio e salpicão, tudo acompanhado de um verde tinto a deixar nas malgas vidradas uma velatura de musselina rósea. E as grâ - mestras da cozinha do Lindoso a dizerem-me prazenteiras e sorridentes: bom proveito, que lh’apreste. 




Fonte: http://www.gastronomias.com/cronicas/entrudo.htm , Texto de Dr. Francisco José Torres Sampaio - Presidente da RTAM (Região de turismo do Alto Minho)

Trajes de Sargaceiro e Sargaceira - Apúlia, Esposende



A longa permanência dentro de água fria provoca, necessariamente, o arrefecimento do corpo. Pensa-se que tenha sido esta a razão que levou o sargaceiro a adoptar a fazenda de pura lã, na sua côr natural, para a confecção da indumentária que usa na faina do mar.

Branqueta é o nome que designa o casaco de abas largas, tipo saio romano, até meio da coxa, cingido ao corpo até à cintura e alargando para baixo, em forma de saiote, de modo a deixar inteiramente livres os movimentos das pernas. É abotoado de alto a baixo por pequenos botões do mesmo tecido, grosseiramente feitos em "boneca" e remata, no pescoço, com gola baixa. As mangas são compridas e justas ao braço. A gola, os punhos e as frentes são debruados com pesponto grosso e largo, geralmente duplo ou triplo, formando barra. Sobre o peito, à esquerda, alguns sargaceiros fazem bordar, sempre com a mesma linha grossa e forte do pesponto, a sua inicial, ou qualquer outra sigla que o identifica. À cintura o sargaceiro usa largo cinto preto, de cabedal. A branqueta é toda confeccionada à mão, com linha resistente, para suportar o embate das ondas.


Na cabeça o sargaceiro usa o Sueste, espécie de capacete romano, com copa de quatro gomos reforçados e duas palas: uma, curta, na frente, e outra, mais larga e comprida, atrás. Deste modo é-lhe possível "furar" as ondas alterosas sem que a água lhe molhe a cabeça e o pescoco, e lhe penetre nas costas. Feito do mesmo tecido da branqueta, passa por diversas fases de impermeabilização e é, por fim, pintado com tinta branca. No cimo da copa leva, pintada a vermelho, uma cruz, e dos lados o nome de Apúlia e qualquer outra referência ao gosto do proprietário, habitualmente uma data.
A textura da branqueta que, como já foi dito, é de pura lã, permite ao sargaceiro permanecer várias horas molhado mas conservando a temperatura normal do corpo, enquanto se mantém em actividade.


A mulher sargaceira assume um papel secundário durante a mareada, já que o trabalho árduo e perigoso de enfrentar as ondas é da exclusiva responsabilidade do homem. Por isso a sua indumentária é mais delicada e, normalmente, apenas entra no mar com água até ao joelho, para ajudar o homem a arrastar para terra o galhapão cheio de sargaço arrebatado ao mar. Assim, ela veste saia rodada, do mesmo tecido da branqueta, bem cingida à anca por larga faixa preta, sarjada, e blusa branca, de linho. Um colete adamascado preto, sem mangas, e bordado a linha de seda em cores garridas, envolve-lhe o tronco e protege-lhe o peito. Na cabeça usa lenço de merino.


Quando sai de casa põe, nas costas, um xaile de merino à moda do Minho e, na cabeça, um pequeno chapéu preto, de feltro, de copa baixa, redonda e de abas estreitas, que leva, na frente, uma pequena moldura de prata, habitualmente com um espelho. Mas, sempre que a sargaceira está "comprometida" ou casada, retira o espelho da moldura e, no seu lugar, coloca a fotografia do seu amado; se mantém o espelho no chapéu é sinal de que é livre e "descomprometida".






Fonte: G.F. Sargaceiros de Apúlia: http://www.sargaceiros.com.pt/http://www.folclore-online.com ; Fotos apintocoelho :http://picasaweb.google.com/apintocoelho/MareadaRecriacaoDaApanhaDoSargacoApulia#

Carpideira

Nos tempos dos nossos antepassados existia uma profissão chamada Carpideira que consistia em chorar para um morto em troca de dinheiro. 

A carpideira era uma profissional feminina cuja função consistia em chorar para um defunto alheio. 

Era feito um acordo monetário entre a carpideira e os familiares do defunto, a carpideira chorava e mostrava seus prantos sem nenhum sentimento, grau de parentesco ou amizade.

O principal objetivo era levar os participantes no velório ao choro e lamento, mesmo que o defunto não merecesse.

Deixo-vos um trecho da recolha de Michel Giacometti sobre este assunto.


"O Soajo, embora mantendo arcaísmos que são típicos das velhas sociedades agro-pastoris, não parece ter conhecido – ou, pelo menos, não conservou – formas musicais significativas que reflictam a condição dos homens que aí vivem. Contudo, não podemos deixar de reconhecer o valor documental, musicológico e sociológico dos espécimes recolhidos no Soajo, os quais, na sua expressão singela e despida de qualquer enfeite, se identificam ainda hoje com a terra e os homens.

Numa paisagem deslumbrante, prosseguimos a nossa viagem pela serra do Soajo, até à povoação raiana da Várzea. Várzea é uma das poucas terras do país onde ainda é costume «chorar os mortos»; ou seja improvisar, para os que vêem de morrer, uma lamentação pobre e desesperada. «Choram-se» os seus próprios mortos ou manda-se «chorar» uma carpideira, que fará o serviço em troca de um alqueire de trigo ou coisa parecida.

É claro que quando chegámos à Várzea, não havia ninguém que tivesse morrido de propósito, a quem a carpideira da terra, nossa conhecida de há muito, pudesse prestar a sua homenagem fúnebre. A pobre mulher, cujo ganha-pão é subir as encostas e correr léguas em fim até ao Soajo para receber o correio da gente da terra, tinha sido avisada do que pretendíamos. Agora, porém, teimava em não chorar: que não choraria, que já da última vez – há mais de dez anos – tinha chorado contra vontade para este mesmo senhor estrangeiro que guardou tudo numa caixa e levou para Lisboa. Portanto, que não choraria, por mais que se lhe pagasse. Mas como não chorar, quando a vida é esta e a dor é paga! 

 Choraste, mulher, choraste, e recebeste o salário das tuas lágrimas, e agora foges entre os espigueiros, que guardam os poucos bens daqueles que tão pouco têm.


A melopeia, na sua expressão simples, constitui um exemplo raro entre nós de canto da morte – embora não possuindo as qualidades que fazem deste canto, na Córsega, na Sardenha ou na Grécia, o género musical talvez mais significativo da tradição destes povos, tanto pela forma a um tempo rigorosa e livre, como pela elevação dos sentimentos traduzidos em versos de uma pungente beleza. Todavia, expressões como estas da nossa carpideira: «Leve-me consigo», «Iremos os dois no seu caixão», ou «Você não é costume ficar tão caladinho», são comuns a todos esses povos.

Carpideira é uma profissional feminina cuja função consiste em chorar para um defunto alheio. É feito um acordo monetário entre a carpideira e os familiares do defunto, a carpideira chorava e mostrava seus prantos sem nenhum sentimento, grau de parentesco ou amizade."




Fonte -  Gravado para o programa "POVO QUE CANTA" da RTP.Programa nº 35 - 1970.  Autor: Michel Giacometti.

Castanholas


Ao contrário da que muitos de nós podemos pensar, castanholas não são apenas um instrumento de terras de Espanha, elas também existem em Portugal, tocadas e feitas por mãos habilidosas. São talhadas nas mais variadas formas e feitios e como que esculpidas com a ponta da navalha.


A castanhola é um instrumento de percussão criado pelos fenícios há três milénios que foi introduzido nos demais países do Mediterrâneo através do comércio marítimo desenvolvido por esse povo.

É constituído por dois pedaços de madeira de castanheiro em forma de prato fundo, perfurado e ornamentado com uma fita que se coloca em redor do polegar. O seu nome deriva do seu formato, que lembra uma castanha.

As castanholas emitem um som seco e oco, de entoação imprecisa. São de origem espanhola, se bem que sejam conhecidas desde o tempo dos Romanos, são populares também em Portugal, assim como alguns países hispano-americanos.



As castanholas servem de acompanhamento rítmico para muitas danças folclóricas, como o flamenco, por exemplo. Na orquestra são colocadas no extremo de uma pequena vara que é agitada, facilitando deste modo a sua execução a estrangeiros. Empregam-se na música erudita para obter um colorido espanhol, por exemplo, Carmen de G. Bizet.

Em qualquer par de castanholas há uma que tem o som mais agudo do que a outra, distinguindo-se, respectivamente, com os nomes de castanholas-fêmea e castanholas-macho. Para tocá-las, tem que segurá-las com o polegar através do cordão que as une; o qual atravessa a sua parte superior, chamada "orelha", fazendo-as estalar através da percussão rítmica dos restantes dedos. Em algumas ocasiões, as castanholas de uma das mãos batem com as da outra, dependendo dos passos de baile. Também podem ser produzidos efeitos de glissando, ondulando (alternando as duas mãos), trilos e rufos vêm do norte de Portugal.

Na região do Minho os bailadores tocam e dançam com as castanholas assim dando uma beleza à própria dança.




Harmónica





A harmónica , gaita de beiços, também conhecida como realejo , A gaita possui em sua embocadura um conjunto de furos por onde o instrumentista sopra ou suga o ar. Devido ao seu pequeno tamanho, a gaita não possui caixa de ressonância. O gaitista pode usar as mãos em concha para produzir variações de intensidade. Quando executada em conjunto com outros instrumentos, é comum que ela seja amplificada eletronicamente. A gaita é bastante usada no blues, rock and roll, jazz e música clássica. Também são muito comuns os conjuntos compostos apenas de gaitas, as chamadas Orquestras de Harmônicas, que normalmente tocam músicas tradicionais ou folclóricas.

História


A gaita teve sua origem em um antigo instrumento chinês, o sheng, que foi inventado há mais de cinco mil anos e que funciona pelo princípio de palhetas livres. Esta técnica de produção sonora gerou uma grande família de instrumentos acionados por foles ou bombas de ar, como o acordeão e a melódica. Em órgãos é comum que alguns tubos sejam flautados e outros utilizem palhetas livres para produzir sons com timbres diferenciados.