O Grupo de Danças e Cantares Besclore foi fundado em 1987, é uma das vertentes do Grupo Cultural e Desportivo dos Trabalhadores do Grupo Novo Banco.

Composto por cerca de 40 elementos visa “recolher, representar, promover e divulgar as tradições, usos, costumes, danças e cantares do povo do Alto e Baixo Minho português”. Iniciando a sua representação etno-folclórica nas danças, nos cantares e no trajar do final do XIX, princípio do séc. XX.

O Grupo leva já alguns anos de actividade na exibição da policromia dos trajes de Viana do Castelo, do requinte dos trajes de Braga, da elegância das modas dos vales dos rios Ave e Este, e da vivacidade e alegria contagiante das modas da Ribeira Lima e Serras d`Arga e Soajo.

Tem ao longo dos anos participado em inúmeros espectáculos, festivais de folclore e romarias de Norte a Sul do Pais.Além de Portugal, o Besclore já se exibiu em Espanha, França, Inglaterra e Itália.


Fotografia de Grupo de Agosto de 2014
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Romaria de Nossa Senhora D' Agonia, Viana do Castelo

Nasce a Romaria (...) de uma Via Sacra que partindo do Convento Franciscano de Sto. António, rematava no antigo morro da forca. Foi aí que se construiu a Capela do Bom Jesus do Santo Sepulcro (1674), o Bom Jesus da Via Sacra. A devoção à Senhora d'Agonia ocorre a partir de 1751 com a entrada da imagem, na Capela do Bom Jesus. E logo em 1783 a Sagrada Congregação dos Ritos concedeu faculdade e licença para todos os anos se celebrar nesta Capela no dia 20 de Agosto uma Missa Solene. Data que a Cidade de Viana elegeu como Feriado Municipal. Em 1861 a Romaria extravasa já a Festa Religiosa. É o arraial com todas as suas motivações lúdicas - os descantes ao som das violas, as esturdias e as danças. Em 1862, o concurso do povo era tal que se calculava já em mais de 50.000 pessoas que contemplam o fogo-de-artifício da dupla José Castro e Manuel Silva. Em 1871 anexa-se ao programa das Festas a tourada. Em 1906 nasce a Festa do Traje e em 1908 a 1ª Parada Agrícola (cortejo etnográfico). A Romaria sai do âmbito acanhado do Campo d'Agonia. Invade a Cidade. São as Festas de Agosto, a Romaria das Romarias de Portugal. Cartaz, símbolo de uma região, veículo indelével da cultura, de uma longa História em que o fenómeno do sagrado e do imaginário caminham lado a lado.




A romaria de Nossa Senhora da Agonia, em Viana do castelo, é considerada uma das maiores de Portugal. A primeira referência a este culto remonta ao século XVIII. A ligação com a comunidade piscatória é forte nos festejos de Nossa Senhora da Agonia.

Capela de Nossa Senhora d'Agonia

A devoção começou com a imagem presente na capela do Bom Jesus de Santo Sepulcro do Calvário, que mais tarde se chamou Capela do Bom Jesus da Via Sacra e que, ainda mais tarde, se passou a chamar Capela da Senhora da Soledade. O local onde se encontrava a capela, permitia aos vianenses observar as chegadas bem sucedidas dos barcos de familiares que partiam para o mar, mas também originavam momentos de aflição com a sorte desses pescadores, entregues aos caprichos das marés. Foi por esta razão, conta-se, que o povo de Viana do Castelo, sofrendo diariamente as angústias da vida do mar, decidiu renomear a imagem que já tanta devoção originava com um novo nome: Nossa Senhora da Agonia.



Foi a partir dessa data que a romaria em torno de Nossa Senhora da Agonia começou a cativar cada vez mais devotos. Tanto que em 1772 o dia único de romaria alargou-se a 3 dias, embora o principal atractivo continuasse a ser as cerimónias religiosas. Apesar de os dias tradicionais (18, 19 e 20 de Agosto) terem mudado para coincidirem com sexta, sábado e domingo, está determinado que os festejos não podem ocorrer antes de dia 15 ou depois de dia 25 de Agosto. Até 1968, quando se passou a efectuar a procissão fluvial, eram os próprios pescadores que carregavam o andor com a imagem.



Com o passar dos anos o número de visitantes tem aumentado, bem como as iniciativas paralelas aos festejos religiosos. Um Cortejo etnográfico representativo do distrito, uma feira de artesanato regional e o também já tradicional fogo de artifício junto ao Rio Lima, são algumas das actividades que animam a cidade durante a romaria.


 


Recomendo a visualização do filme Romaria da Senhora d'Agonia, realizado em 1958. Aqui fica o link.





Fonte: http://vianafestas.com/pt/eventos-e-romarias/romaria-sra-da-agonia; Wikipédia. imagens retiradas do google.e artigos sobre a romaria.

Dia da Espiga

O Dia da espiga ou Quinta-feira da espiga é uma celebração portuguesa que ocorre no dia da Quinta-feira da Ascensão com um passeio matinal, em que se colhe espigas de vários cereais, flores campestres e raminhos de oliveira para formar um ramo, a que se chama de espiga.

Segundo a tradição o ramo deve ser colocado por detrás da porta de entrada, e só deve ser substituído por um novo no dia da espiga do ano seguinte.
As várias plantas que compõem a espiga têm um valor simbólico profano e um valor religioso.

Crê-se que esta celebração tenha origem nas antigas tradições pagãs e esteja ligada à tradição dos Maios e das Maias.

O dia da espiga era também o "dia da hora" e considerado "o dia mais santo do ano", um dia em que não se devia trabalhar.

Era chamado o dia da hora porque havia uma hora, o meio-dia, em que tudo parava, "as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e as folhas se cruzam". Era nessa hora que se colhiam as plantas para fazer o ramo da espiga e também se colhiam as ervas medicinais. Em dias de trovoadas queimava-se um pouco da espiga no fogo da lareira para afastar os raios.

A simbologia por detrás das plantas que formam o ramo de espiga:

Espiga – pão;
Malmequer – ouro e prata;
Papoila – amor e vida;
Oliveira – azeite e paz; luz;
Alecrim – saúde e força.


Algibeira


O termo Algibeira é proveniente do árabe e permaneceu no trajo popular feminino de quase todas as regiões do país como uma peça interior, escondida dos olhares estranhos, tal como sucede no Algarve, onde são conhecidas por patronas.



Atadas à cintura, escondidas entre a saia de fora e a anágua, sempre que necessário a mão passava através da abertura disfarçada entre as pregas da saia.

No trajo erudito também é conhecido o seu uso. Durante séculos, os tecidos pesados e opacos ocultavam completamente a abertura da saia, que permitia o acesso a esta bolsa. Com as alterações introduzidas na moda durante o período do império (sec.XVIII), as alterações do corte dos vestidos, com cintura alta, e o uso generalizado de tecidos transparentes e leves, torna-se difícil o uso desta peça. Surgem as bolsas suspensas dos cintos ou dos ombros, em tecidos coloridos, bordados e posteriormente com armação em metal, conduzindo ao aparecimento das bolsas de mão.




No Minho vemos que a algibeira se insere tanto no trajo popular como erudito, tendo-se verificado a passagem de uma peça interior para um acessório externo, exibido para ser admirado com o restante trajo.

Nesta região assume uma forma curiosa, um coração estilizado, adaptando-se perfeitamente aos diversos tipos de trajo da região.

Os exemplares apresentados correspondem a algibeiras do trajo de trabalho e domingueiro, já que nas versões mais ricas e garridas o ponto cruz é menos utilizado, sendo substituído por aplicações de fitas, galões e pelo brilho das lantejoulas, das missangas e dos vidrilhos.

Na sua confecção é utilizado um molde de papel que se aplica sobre os retalhos de tecido pretendidos.

Depois de cosidos, eram decorados com a aplicação de fitas, de bordados e botões, de acordo com a inspiração e os materiais disponíveis. Para o forro era utilizado outro retalho de linho ou riscado. 

A função da algibeira, que era usada presa com fitas sobre o lado direito, escondida entre a saia e o avental, é ao mesmo tempo decorativo e funcional.

Nele se guarda o lenço, o terço no segredo (pequena abertura escondida sob a pala), ou os poucos vinténs resultantes da vendo do produto da terra.

No trajo erudito este acessório passou a estar exposto aos olhares de todos. Perdeu a sua simplicidade inicial, para se afirmar pelo exotismo da forma, a riqueza dos materiais e pela exuberância da decoração.




Fonte: O Ponto de Cruz – a grande encruzilhada do imaginário – Museu de Arte Popular – 1998. Imagens retiradas do google.




Lenda do Monte da Dor


Era uma vez um poderoso Emir, senhor absoluto de Gaia, povoação e terras sobranceiras ao rio Douro, escuro e caudaloso, a caminho do mar próximo.

O Emir tinha uma irmã, chamada Aldara, que muito estimava, rodeando‐a de quantas riquezas amontoara no seu palácio. Jóias, plumas, sedas, realçavam‐lhe a beleza morena, sempre entregue a festas, a torneios, a banquetes, que o irmão lhe proporcionava para a saber feliz.

Todavia, Aldara preferia, de todos esses festejos e divertimentos, as audições de música e canto e poesia 
que lhe alimentavam os sonhos e devaneios. E foi, numa dessas audições, surpreendida pela voz quente e melodiosa de um jovem trovador, de olhos azuis e cabelo loiro caído sobre os ombros, erguida ao som da viola, por ele próprio dedilhada.

A letra das suas badaladas, cheias de brandos suspiros, eram de uma língua doce, estranha à princesa. Decerto o donairoso trovador viera do Norte, cativo do Emir, nas suas escaramuças com os cristãos, e decerto devia a vida à perfeição da sua arte. 

Começou Aldara a amar o desconhecido, não se cansando de lhe admirar a música e o canto. E, no coração do trovador, esse amor parecia ser correspondido. Não tardaram os dois a chegar à fala, partilhando, em prolongados encontros secretos, aquela paixão impossível. Impossível?

Uma noite, Aldara, comprando o segredo dos seus servos e aias, escapando à vigilância dos seus guardas, correu para os braços do trovador e ambos abandonaram o palácio de Gaia, numa cavalgada apressada, a caminho de um reino cristão, onde o seu amor estivesse a salvo das leis sarracenas e da severidade do Emir.

Galoparam horas sem descanso e, quando o Sol enfim nasceu, encontravam‐se percorrendo uma extensa veiga à beira‐mar, numa região que se estendia do rio Lima até à foz do Minho, acolhedora na sua paz e na sua beleza. 

Não ignoravam os dois enamorados que o irmão de Aldara, ao descobrir‐lhes a fuga, logo chefiaria, contra eles, a força dos seus exércitos. E estes, mais velozes e afeitos a perseguições de inimigos, depressa os encontrariam, para castigo cruel. Mais a mais, a veiga não tinha lugar nenhum onde pudessem ocultar‐se, deixando passar, avante os seus perseguidores. Súbito, no horizonte, recortou‐se o vulto de um monte frondoso, a convidá‐los a encontrar, nele, repouso e abrigo.

Rapidamente, Aldara e o seu companheiro treparam ao monte, de onde era bem distinto o rumor das vagas a quebrarem‐se de espuma, no doirado das praias. Entretanto, os homens do Emir, seguindo o rasto dos enamorados, começaram, também, a trepar o monte, com grande estrondo de cavalo e armas.

Aldara e o trovador viram‐se perdidos! E, estreitados num firme abraço, prometeram, um ao outro, morrer juntos, sem que ninguém os conseguisse apartar. Ao vê‐los assim, unidos, maior foi a ira do Emir,ordenando logo aos seus soldados que os separassem, disposto, no íntimo, a perdoar à irmã a leviandade da fuga. Mas, por mais que os soldados quisessem obedecer‐lhe, era‐lhes inútil o esforço de afastar Aldara dos braços do 
trovador!

Mais de cem vezes tentaram a separação. Mais de cem vezes desistiram do intento. Então, o Emir, rubro de cólera, ordenou que os dois corpos, tão fortemente enlaçados, fossem lançados às águas frias do mar revolto. Assim se fez. E, como por milagre, mal receberam em si os dois desesperados, as ondas aquietaramse, bonançosas.

Mordido pelo remorso, O Emir foi‐se dali para o seu palácio de Gaia, onde passou a viver uma existência amargurada. 

Ao monte que assistiu, mudo de pasmo, a este castigo e a este prodígio, passou o povo a chamar‐lhe Monte da Dor, hoje Montedor.

E diz‐se que, em noites de tempestade, os pescadores da costa, privados do seu ganho, ante a violência das chuvas, ventos e trovoadas, evocam as almas de Aldara e do trovador, para que lhes venham valer na tormenta. Então, do profundo das águas, julgam ver emergir dois vultos enlaçados que, boiando, serenos, lhes expulsam os medos e a procela, fazendo que os seus frágeis barcos de pesca possam alcançar, docemente, o bom porto.



Fonte: VIANA, António Manuel Couto - “Lendas do Vale do Lima”. Ponte de Lima: Valima - Associação de Municípios do Vale do Lima, 2002, p. 19-21. Ilustração de António Vaz Pereira