O Grupo de Danças e Cantares Besclore foi fundado em 1987, é uma das vertentes do Grupo Cultural e Desportivo dos Trabalhadores do Grupo Novo Banco.

Composto por cerca de 40 elementos visa “recolher, representar, promover e divulgar as tradições, usos, costumes, danças e cantares do povo do Alto e Baixo Minho português”. Iniciando a sua representação etno-folclórica nas danças, nos cantares e no trajar do final do XIX, princípio do séc. XX.

O Grupo leva já alguns anos de actividade na exibição da policromia dos trajes de Viana do Castelo, do requinte dos trajes de Braga, da elegância das modas dos vales dos rios Ave e Este, e da vivacidade e alegria contagiante das modas da Ribeira Lima e Serras d`Arga e Soajo.

Tem ao longo dos anos participado em inúmeros espectáculos, festivais de folclore e romarias de Norte a Sul do Pais.Além de Portugal, o Besclore já se exibiu em Espanha, França, Inglaterra e Itália.


Fotografia de Grupo de Agosto de 2014
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A apanha do sargaço


O minhoto soube aproveitar as condições do meio e fertilizar as areias com os produtos do mar. A apanha de algas assumiu grande importância ao longo da costa Norte. Os campos estéreis da beira-mar foram enriquecidos com pilado – caranguejos em cardume – e sargaço.


Hoje, com a generalização dos adubos químicos, esta actividade está em declínio. Mas, em certos locais, a apanha das algas tem ainda alguma importância. Em Castelo do Neiva, nas primeiras horas da manhã, ainda é possível observar os apanhadores de algas. O sargaço é apanhado nos meses de Verão. Os sargaceiros entram no mar e com o redenho recolhem as algas que estão à superfície ou submersas, junto ou próximo da praia.


Antigamente, os sargaceiros, antes de entrarem no mar, envergavam branquetas, um casaco de tecido de lã, grosso e branco, que envolve o corpo dos sargaceiros até ao joelho. Na cintura é cingido por um cinto de couro e a parte de baixo é rodada.



Quando o mar já não permite a apanha, os montes de algas molhadas não transportados para os sequeiros, nas dunas, em cestos, padiolas ou carros de mão com duas rodas. Nos sequeiros as algas são estendidas com o auxílio do engaço – uma espécie de ancinho.


Uma vez secas, as algas são empilhadas, formando uma palhota. A parte superior é coberta por um telhado de duas águas, construído com colmo. Aí ficam até serem transportadas para os campos que vão fertilizar.







Fonte: http://www.folclore-online.com - “Cores, sabores e tradições – Passeios no Vale do Lima”; livro a Mareada em Apúlia de Carlos Basto.
             vídeo retirado do youtube
             imagens retiradas do google e do livro A Mareada em Apúlia

O Ouro do Minho – O Ouro de Viana


Introdução

Etnograficamente, a mulher minhota sabe, como ninguém, usar o ouro. O fio de contas e os brincos não contam como ouro. São elementos amuléticos, as contas pela sua parecença com o sol, a lua e as estrelas. Os brincos (porque obrigam a furar as orelhas), desde os botões que ataviam os alvores da infância, até aos brincos “à rainha” ou as “argolas” e “arrecadas” protegem a cabeça através de orifícios mais expostos aos espíritos malignos (esterilidade). Por isso, a rapariga de Viana no seu traje de trabalho ou de cotio não se sente “ourada” quando usa brincos e colar de contas (este, às vezes, com uma “pendureza”, normalmente, uma borboleta).

O Ouro do Minho – O Ouro de Viana


No Traje de Domingar e já a fazer versos nos lenços de amor, usa o primeiro cordão que lhe concede o estatuto de rapariga namoradeira (namorar no Alto Minho significa já a possetudo o que aconteceu antes é “flirt”, assunto de conversados). Por isso, este cordão é oferecido pelos pais, melhor, pela mãe. Era a mãe que escolhia se era um cordão grosso (soga), ou um cordão fino (linha); nunca um cordão (oco). Este acto realizava-se pelo S. João, já que era nesta altura que a mãe colocava, também, ao pescoço da filha, o amuleto da moeda de três vinténs ou um conjunto de três moedas, furada(s), pelo orifício da qual se passava um fio de linho, de pontas unidas com três nós sobrepostos.

Na noite de S. João e antes da sua “iniciação” às fogueiras ou ao arrincar dos linhares, a filha tinha que jurar à mãe não mostrar o amuleto fosse a quem fosse e só o tiraria quem o colocou. Daí, a tradição da mãe tirar os três vinténs do pescoço da noiva, precisamente, na hora de sair de casa para a Igreja. E o povo não deixou de referir este acontecimento na seguinte quadra: com um homem de certa idade / casou a minha vizinha / ele tinha os três vinténs / mas ela nem isso tinha.



O Traje de Feira, mete negócio e “chieira” e um outro ourar. Duas informações: Ramalho Ortigão nas “Farpas” (1885) refere o ouro das lavradeiras no mercado semanal em Viana – Jovem viúva, tecedeira em Cardielos (arrecadas, o colar de ouro); uma velha, sessenta a setenta anos (arrecadas de filigranas, colar de grandes contas, de ouro polido). Leite de Vasconcelos (O Traje em 1917) diz: “Muito Ouro, costumava dizer-se para a missa o que puderdes, para a feira quanto tiverdes”.


Só o “traje de festa”, também designado por “traje de luxo” é que “obriga” a rapariga a aparecer “ourada”. E isto significa, quando são mordomas, a aquisição do segundo cordão com “peças” (medalhas de libra ou meia libra), borboletas (corações invertidos), a “laça”, os brincos “à rainha”, a pregadeira das “três libras”, a “Santa Custódia” ou “Brasileira” a lembrar tempos de emigração.

Traje de Noiva – obriga ao terceiro cordão, oferta do noivo – um cordão grosso, a “soga”, um cordão “de bom cair” pelo seu muito peso; ao trancelim.

Traje de Morgada – sinónimo de casa farta, boa lavoura, tulha cheia, soalhos encerados e o cheiro a mosto das adegas. Uma só jóia na casaquinha justa – a gramalheira / grilhão / bicha. Gramalheira - por se assemelhar a uma corrente grossa usada para suspender os potes de três pernas da lareira; grilhão - pela sua analogia com as correntes metálicas; bicha – pela semelhança da parte do colar a uma cobra com escamas. A união do colar – ao centro com chapas de ouro lisas e geometricamente recortadas – faz-se com uma roseta em relevo com pedras. Dos braços laterais caem franjas e, ao centro, o medalhão que pode atingir 20 centímetros com os mais variados motivos folclóricos. (...)



O Uso do Ouro – Os Amuletos – As Promessas


A Mulher Fanada

Já vimos que o fio de contas e os brincos não contavam como ouro, mas sim como amuleto. A mulher nunca tirava o fio de contas do pescoço, nem o brinco das orelhas. O povo era contumaz sempre que uma mulher aparecia sem brincos: era uma mulher fanada! Tradição de tal modo importante que à nascença de uma menina eram logo perfuradas as orelhas e colocados uns brincos designados botõezinhos oferecidos pela sua madrinha de Baptismo. Atente-se, também, no antigo hábito de no primeiro banho do recém-nascido/nascida se lhe juntar moedas ou peças em ouro na convicção premonitória de ser rico/rica.



Também, a água desse primeiro banho deveria ser em caso de rapaz lançada à rua para que ele fosse andarilho, se menina era guardada dentro de casa e lançada na “comua” para que fosse caseirinha. As mães punham ao pescoço no berço e até na cintura das crianças, medalhinhas, figas, sino – saimões – para as defender das bruxas, do mau olhado ou quebranto. A forma, também, das peças de ouro estavam adaptadas às crenças que vinham dos antepassados, quer na forma esférica ou arredondada como acontecia com as contas de Viana ou nas formas lunulares que nos aparecem nas arrecadas, nos brincos à Rainha, nos brincos de “chapolas”, parolos ou de luas. O sol e a lua aparecem-nos com simbologias antigas em que a Deusa Lua era a filha do grande Deus Sol (civilizações Egipcía e Maia), dizendo-nos que, quer a lua quer o sol, sempre exerceram imenso fascínio nas pessoas.



O poder de exorcismo e purificação

O mesmo podemos dizer dos triângulos invertidos. O triângulo com o verso para cima simboliza o fogo e o sexo masculino (signo alongado); com o verso para baixo simboliza a água e o sexo feminino (signo cheio), ambos ligados à fertilidade. 

É nas arrecadas de Viana que se constata todo este poder amulético:

           a) pela forma lunular na “Janela” ou “pelicano” ou “bambolina”;



           b) A presença de campainhas (antigamente chocalhos) comum em todas as religiões no seu número ímpar. As campaínhas têm a virtude de afastar os maus espíritos tal como o “reque-reque” pelo barulho que faz;


        c) Os SS de filigrana são uma estilização dos patos a voar (símbolo da união e da fidelidade conjugal – macho e fêmea – nadam sempre juntos);

           d) O triângulo invertido na parte terminal da arrecada é a estilização de um cacho de uvas (fertilidade).

Não esquecer que os ouvidos são os únicos orifícios que não têm válvulas e estão permanentemente abertos ao exterior e vulneráveis, quer à entrada nos maus espíritos como à saída dos bons. Por isso, é que a mulher do Minho tem obrigatoriamente de usar brincos ou arrecadas, mesmo a dormir, pois tem sempre receio do mal pior: ser estéril.



Povo que lavas no rio / A Senhora da Peneda


“No princípio do primeiro escadório, cá em baixo, onde as promessas principiavam, uma lavradeira vestida com o fato de pano preto do seu noivar e do seu mortório, entrara para um caixão. Soubemos mais tarde que prometera todo o seu oiro, mais aquele sacríficio de se amortalhar, se a Senhora lhe trouxesse, vivo e são, o namorado embarcadiço, na altura, para as bandas da Gronelândia. 

E o rapaz voltara!


Logo, o casamento dele com a Deolinda Ruça marcou-se para o Natal próximo. Todavia, antes, a rapariga quis cumprir a jura, atravessando, sem fala, a serra. Como andava descalça, ela, que era mimosa, trazia os pés em sangue. Seis homens de roupa escura (entre eles o pai e o noivo!), pegavam-lhe, agora ao caixão. 

À frente, ia o padre.E o cortejo avançou, lentamente, pelo vasto largo da romaria, subindo, em seguida, a grande escadaria que termina lá no alto da encosta. À porta do templo, o préstimo deteve-se. E o sacerdote entrou sozinho, na igreja, enquanto que os homens de roupa escura, pousavam sobre o lajedo, o caixão, para descansar um pouco. Depois, o pai da moça procedeu à abertura da urna. Mas de súbito recuou! Quis falar e não pôde. Os outros debruçaram-se, então, sobre o esquife. Foram a ver A Deolinda estava morta.”

(Homenagem a Pedro Homem de Mello - Afife/2004)

Uma nota final / Seguindo os apontamentos sobre o ouro de Maria Emília de Vasconcelos:

Como já vimos em toda a entrega do ouro aparece-nos a Grande Mãe como a Matriarca da família. Mesmo quando pedida em casamento, na ida a Viana com o noivo e os pais do noivo, a Mãe estava junto à filha. Então o povo dizia o seguinte: - Foram ao “ulives” para ourar a noiva.

Ultimamente tem-se verificado que a colocação do Ouro no diverso trajar (Cotio,  domingar, Feirar, Peditório, Luxo, Mordoma, Noiva e Morgada) não está a observar as regras que recebemos dos nossos maiores e dizem respeito à tradição. 

Assim repetimos: o que usa e como usa (a Minhota) no seu corpo, o ouro?

Ao pescoço - colares de contas, cordões, gargantilhas, trancelins e grilhões (cordões como já dissemos devem dar pelo menos três voltas e cair folgadamente no “colo” da Lavradeira, tendo sempre pendurada na parte mais comprida uma das seguintes peças: borboleta, cruz raiada de filigrana, cruz fundida ou maciça, peça ou medalha, custódia ou laça.

Ao peito - as chamadas pendurezas que podem ou não estar ligadas, quer aos cordões, quer ainda, aos trancelins e mesmo aos colares de contas: crucifixo, cruzes de Malta, cruzes de sacramento, cruzes de canovão e cruzes barrocas, imagens de Nossa Senhora da Conceição ou as Senhoras do Caneco, relicários, laças, corações (opados e em chapa e que podem ser barrocos, de bico, de chapa, duplos, filigranados ou coroados, flamejantes, opados, de segredo, simples e de veneras), borboletas, alfinetes (de moedas de libra ou de cavalinho que conforme diz a cantiga “são lindas, elegantes, comparantes aos meus beijinhos”; de laço com ou sem pedra), pregadeiras, custódias (brasileiras ou lábias), peças e medalhas.


Nas orelhas – brincos à Rainha ou à Vianesa ou picadinhos; brincos à Rei, arrecadas de filigranas, brincos de moedas de imitação (libras, meias libras, quintos e quintinhos); brincos de chapola, parolos ou de luas; argolas (barrocas, carretilha, a cigana, de leque com ou sem turquesas, torcidas, regueifa, indiana, carniceiras ou de Barcelos).


Nos pulsos – pulseiras de chapa e de trancelim.

Nos dedos – anéis de argola, de cordão e de chapa.

A colocação de qualquer “peitilho” onde foi colocado o ouro que faz parte da montra da Lavradeira está contra a tradição e como tal deverá ser corrigido. Igualmente, e conforme referia o sempre lembrado Amadeu Costa qualquer colocação do ouro abaixo do umbigo, igualmente é reprovado porque é um atentado ao pudor uma vez que os olhos maliciosos são levados a fixar-se em partes mais íntimas do corpo. Também, uma mulher nunca ia trabalhar ourada porque era uma forma de má administração e até falta de precaução; em contrapartida, o fato de ir à feira já deve ter uma boa aparência para que corra bem o negócio, nunca esquecendo, porém, que o “ouro” tenta os ladrões.


Recomendo a visualização do documentário Ouro Tradicional de Viana do Castelo, realizado pela Associação ao Norte. Aqui fica o link.




Fonte: http://www.folclore-online.com - Francisco Sampaio, in Brochura “Festa do Traje” - Romaria D’Agonia – Viana do Castelo - 2006
Fotografias retiradas do google

A Rabeca Chuleira

A Rabeca Chuleira representa a modificação do violino vulgar, popularizado certamente apenas no decurso dos séculos XVII ou XVIII é um violino popular de braço curto e escala muito aguda, que aparece numa área centrada em Amarante, que vai até ao Douro, Guimarães, Lousada e Santo Tirso, ligada a uma forma musical (e coreográfica) peculiar a essa área — a chula. . A rabeca tem quatro cordas friccionadas por um arco e o seu braço é mais curto que o do violino.

violino e rabeca chuleira
Violino e Rabeca Chuleira

Excerto da grande obra de Michel Giacometti onde se pormenoriza sobre um dos mais antigos instrumentos tradicionais de Portugal.


Os Espigueiros

Os Espigueiros são monumentos de arte popular que evocam a cultura do milho 


Um pouco por toda a região do noroeste peninsular, surge frequentemente na paisagem rural um tipo de construção bastante característica que, pela graciosidade que possui, tornou-se num elemento emblemático daquela região – o espigueiro!

Também designado por canastro ou caniceiro em função dos materiais empregues na sua construção, o espigueiro constitui um celeiro onde o lavrador guarda as espigas. De posse particular ou comunitária, a dimensão do espigueiro reflecte a grandeza da produção que normalmente é efectuada. De modo idêntico, a sua ornamentação depende da fantasia do construtor e dos recursos do proprietário.




Os espigueiros encontram-se, em regra, implantados em zonas onde o terreno é mais elevado de forma a permitir a secagem do milho. Nas imediações, encontra-se a eira que aproveita as características de um solo mais plano e lajeado. É aí que se malha o centeio onde se desfolha o milho, dando lugar às alegres descamisadas que constituíam um pretexto para a escolha do namorico.

A origem deste género de construções encontra-se principalmente ligada à introdução da cultura do milho na Península Ibérica de onde irradiou para o resto do mundo. Outrora designado por “trigo índio”, o milho deverá ter-se originado do México de onde, há cerca de quinhentos anos, foi trazido nas naus de Cristóvão Colombo. Desde tempos imemoriais, o milho constituiu a base da dieta alimentar dos maias, incas e aztecas que o incluíam nos seus ritos ancestrais e o celebraram nas suas manifestações artísticas.

A sua implantação, entre nós, registou-se sobretudo na região do Minho e da Galiza, facto a que certamente não foram alheias as condições favoráveis à sua produção e onde prevalece a cultura de regadio. Com o decorrer do tempo, o cultivo do milho passou a estender-se a outras regiões, nomeadamente no centro do país onde predomina a cultura de sequeiro.

A imagem mostra os rudimentares Caniceiros, no Soajo, em 1911 Foto: Ilustração Portuguesa

Em relação ao espigueiro, estes apresentam-se das mais variadas formas e dimensões de acordo com as quantidades de grão a armazenar, as regiões onde se encontram e os materiais disponíveis para a sua construção. Em localidades onde a pedra escasseia, os espigueiros são geralmente construídos em madeira. Porém, atendendo à sua predominante distribuição espacial, a maior parte encontra-se construída em pedra e madeira. A sua fisionomia é variada, existindo sob formas rectangulares, quadradas e redondas. Contudo, ele apresentou-se inicialmente sob uma forma mais rudimentar, na maioria das vezes feito apenas de caniços com cobertura de colmo, tal como aliás sucedia com as habitações mais humildes. E, as técnicas empregues na sua construção evoluíram à medida que se foi constatando a melhor forma de secar o cereal mantendo-o simultaneamente fora do alcance de elementos indesejáveis.


Constituindo a secagem a sua principal função, o espigueiro é construído de molde a proteger as espigas da humidade, salvaguardando-as da intromissão dos pássaros, insectos e roedores, assegurando ao mesmo tempo o necessário arejamento do seu interior. E, este cuidado é tão importante quanto adverso poderá ser o inverno que se aguarda pouco tempo após a colheita do milho e as suas descamisadas.

Tomando como modelo de referência os existentes no Minho, o espigueiro é geralmente construído em madeira e pedra, quase sempre em granito extraído na região. Encontra-se frequentemente assente em pilares que o elevam do solo, sobre os quais assentam os dinteles que são os esteios que suportam toda a estrutura e onde se encaixam as aduelas. Estas apresentam-se de forma intervalada para permitir, através das fissuras propositadamente deixadas abertas, efectuar-se o arejamento do seu interior. Para prevenir o acesso das formigas, uma pequena fossa com água rodeia as sapatas onde assentam os pilares do espigueiro. De igual modo, os “torna-ratos” protegem-no dos roedores. Regra geral, são cobertos de telha, existindo porém alguns que se apresentam com cobertura de colmo ou em pedra, sendo mais frequentes nestes casos em lousa e piçarra.

Para além dos elementos arquitectónicos que caracterizam o espigueiro, este é frequentemente encimado por algum elemento de adorno, na maioria das vezes uma cruz, pretendendo-se assim abençoar o milho que se irá transformar, tal como o padeiro que, antes de levar o pão ao forno, procede de forma solene a acompanhar a ladainha.

Persistem em diversas localidades hábitos ancestrais que levam à utilização comum dos espigueiros de acordo com costumes e leis comunitárias. Encontram-se neste caso a eira que se aninha junto às muralhas do castelo do Lindoso, em Ponte da Barca, e no Soajo, em Arcos de Valdevez, onde o seu uso se estende ainda a práticas iniciáticas que contemplam o alojamento dos noivos que aí vão dormir juntos antes da celebração do casamento.

Mais do que propriamente meros celeiros onde se guardam as espigas das quais se produzirá o pão que vai à mesa do agricultor, amassado com o suor do seu próprio rosto e benzido com a sua Fé, os espigueiros constituem verdadeiras obras de arte popular que reúnem uma elevada carga simbólica, quais sacrários onde o povo guarda o alimento para o ano inteiro e, como tal, sinalizado com a cruz que o protege e resguarda de toda a maldição. Como tal, devem ser preservados como um dos mais ricos elementos do nosso património cultural de interesse etnográfico.

Espigueiro existente na Cabração, Ponte de Lima. Foto: Carlos Gomes

Fonte: http://www.folclore-online.com, Texto de Carlos Gomes, imagens do texto original e retiradas do google.

Recomendo a visualização do vídeo Milho à Terra, realizado pela Associação ao Norte.


Chinelas de Viana

Samuel  Carvalhosa é mais do que um sapateiro à moda antiga. O seu trabalho transcende o de remendar solas de sapatos. É o único a fazer, à mão, as tradicionais chinelas de Viana de verniz usadas com o típico traje vianense. Jeito que herdou do pai, António Carvalhosa, que andou nisto durante 70 anos. Quem entrar na sua loja no centro de Viana vê-o a trabalhar ao vivo, à conversa com quem entra, quase sem levantar os olhos dos moldes e da navalha que há de dar vida às chinelas.

"Tinha 13 anos quando fiz as primeiras." Hoje, aos 39, continua a não fazer outra coisa: lisas, bordadas à mão pela mãe ou pela mulher, com vidrilho (chegou a fazer uma destas para Amália Rodrigues). Mas Samuel Carvalhosa não se tem limitado a criar as tradicionais chinelas.

A partir delas já desenhou chinelos de quarto e gosta de inovar nos materiais, usando por exemplo, a ganga, para as tornar mais trajáveis. O artesão gostava que a chinela de Viana fosse também certificada. "Isto vai perder-se.

Acabando eu de as fazer, não vejo que alguém continue. Faço isto por amor, esta arte não dá dinheiro. Não é uma indústria e a certificação dava-nos um certo estímulo."





Canto das Santas Cruzes - Soajo - Arcos de Valdevez

Uma das tradições mais antigas de Soajo, Arcos de Valdevez, é a comemoração da Paixão de Cristo vulgarmente conhecida pelo canto das Santas Cruzes. Celebra-se todos os anos com início na Quarta Feira de Cinzas e dura até as endoenças da Quinta Feira Santa. Os homens reúnem-se ao toque do sino depois da ceia, no Adro da Igreja e dividem-se em dois grupos. Cada grupo integra um rapazinho para fazer o desdobramento com a sua voz aguda .

Sobre o ponto de vista musical as Santas Cruzes constituem uma espécie de salmodia tripartida, Como eram aliás as antigas salmodias.

Vídeo gravado para o programa Povo que Canta, RTP, 1970.

Lenço dos Namorados

Os lenços dos namorados são pequenos quadrados de um pano de linho fino ou de lenço de algodão, carregados de simbolismo, bordados com motivos variados.

Era hábito a rapariga apaixonada bordar o seu lenço e entregá-lo ao seu amado. Esta oferta comprometia o rapaz, que o usava enrolado ao pescoço, a não se dirigir a qualquer outra rapariga. Estes lenços de mão eram bordados aos poucos, em serões e horas tiradas ao descanso, a ponto-de-cruz e ponto real. 


Os principais motivos usados são as albarradas floridas, cruzes de Cristo, escudo Português encimado pela coroa real, renques de silvas e cravos, custódias, chaves, corações, passarinhos, pombas com uma carta no bico, pares de namorados segurando um guarda-sol, animais, monogramas, datas e quadras populares, onde o amor aparece considerado como a principal causa da vida.




Os vários desenhos, alguns padronizados, tendo simbologias próprias: rosa quer dizer mulher, coração é amor, lírios simbolizam a virgindade, cravos vermelhos são sinónimo de provocação, a âncora fidelidade, corrente amizade e dedicação, a silva a prisão amorosa e a chave unia os dois corações; os pombinhos significam os namorados, o casamento era representado por símbolos religiosos como a cruz, o vaso, a custódia  ou candelabro. Isto, só para fazermos uma breve ideia destes sinais de amor, pois há muitos mais.

Estes bordados podem não ocupar todo o campo quadrado do lenço; alguns há que são só marcados a partir de um canto, mas como as silvas e os ramos se sucedem, cerca de metade do lenço fica coberto.

Nos lenços mais antigos, de linho,bordavam-se barras de  crivo, entremeios e rendas de croché.


Os versos e as quadras são tema constante nos lenços de amor. Nestes dizeres, muitas vezes sem ritmo e nem rima, aparecem letras invertidas, letras que faltam ou que sobram, sílabas transpostas ou aglutinadas, e alguns tornam-se mesmo indecifráveis, apanhando-se-lhe vagamente o sentido.



Bai carta feliz buando nas asas dum passarinho, cuando bires o meu amor dále um abraço e um veijinho


Meu Manél bai pró Brasil ,eu tamem bou no bapor, gardada no coração, daquele qué meu amor




É provável que a origem dos "Lenços de Namorados", também conhecidos por "Lenços de Pedidos" esteja intimamente ligada aos lenços senhoris dos séculos XVII - XVIII, que posteriormente foram adaptados pelas mulheres do povo, adquirindo os mesmos, consequentemente, um aspecto mais popular.





Fonte: Artes e Tradições de Viana do Catelo, Terra Livre, 1983; http://pt.wikipedia.org/wiki/Lenços_de_namorados ;  http://oplanetaquetemos.blogspot.pt/2011/02/os-lencos-dos-namorados-do-minho.html . Imagens retiradas do google.

24º Encontro de Cantadores de Janeiras do Grupo Recreativo e Cultural do Loureiro

No dia 11 de Janeiro de 2014 participámos no 24.º Encontro de Cantadores de Janeiras do Grupo Recreativo e Cultural do Loureiro, em Vila de Grijó, Vila Nova de Gaia.

Aqui fica o vídeo da nossa actuação.




Fonte: vídeo retirado do youtube - recolhido por Pedro Carvalho.


Historial do Grupo Recreativo e Cultural do Loureiro

O Grupo Recreativo e Cultural do Loureiro, foi criado a 26 de Fevereiro de 1974, para incentivar as práticas culturas e religiosas no seio da comunidade grijoense especialmente da juventude.

Actualmente, o Grupo do Loureiro mantem esse mesmo espírito e desenvolve como principais actividades o canto coral (Paróquia de Grijó - Vila Nova de Gaia), música popular e o cantar das Janeiras.

Orgulha-se de manter a tradição deixada pelos nossos antepassados, cantado as Janeiras de porta em porta practicamente durante um mês, entre o período de 15 Dezembro a 15 de Janeiro. Além de visitarem grande parte das famílias Grijoenses, também têm percorrido vários pontos do nosso país, participando  em diversos encontros de Janeiras, demonstrando as nossas tradições cantando canções ao Menino, pedindo as janeiras aos senhores da casa e por fim cantando aos Reis.

Anualmente organizam o Encontro  de Janeiras da Vila de Grijó, evento que já vai na 24.ª edição. 

O grupo, actualmente é composto por 35 elementos, englobando os elementos de Janeiras e os que compõem o canto coral.

Fonte: livro do programa do 24.º Encontro de Cantadores de Janeiras

Actuações 2014

4 Janeiro - XI Encontro de Grupos de Cantadores de Janeiras e de Reis, Grupo de Danças e Cantares Regionais da Feira, Santa Maria da Feira

11 de Janeiro - 24º Encontro de Cantadores de Janeiras, Grupo Recreativo e Cultural do Loureiro, Vila de Grijó, Vila Nova de Gaia

23 de Março - Angariações de Fundos, Grupo Floclórico As Florinhas Alto Minho, Leceia, Oeiras

29 de Março - XI Festa do Vinho e XV Encontro de Tocadores Tradicionais - Rancho Folclórico de Alcanhões, Alcanhões

13 de Abril - Arraial Minhoto, Grupo Danças e Cantares do Minho, Lisboa

18 de Maio - IV Encontro de Folclore do Grupo de Danças e Cantares de Soito da Ruiva, Cova da Piedade, Almada

31 de Maio -  I Feira de Saberes e Sabores, Moscavide

1 de Junho -  Festa Anual da A.H.B.V. de Fanhões, Fanhões

15 de Junho - Festival do Grupo Cultural e Recreativo de Danças e Cantares de Ponte de Lima, Ponte de Lima

21 de Junho - Festival do Rancho Folclórico e Etnográfico do Zagalho e Vale do Conde, Penacova, Coimbra

22 de Junho - Festival de Folclore do Rancho Folclórico da Casa Povo de Almeirim, Almeirim

28 de Junho - Festival do Rancho Folclórico Santa Marinha de Mogege, Vila Nova de Famalicão

12 de Julho - Festival do Rancho Folclórico “Estrela D’Alva” de Vila Cova, Seia

22 de Julho -  FIARTIL - Feira de Artesanato do Estoril, Estoril

26 de Julho - Festival do Rancho Folclórico de Alcanhões, Alcanhões

9 de Agosto - Festival do Grupo Típico de Ançã, Cantanhede

10 de Agosto - Festas da aldeia da Serra, Mação

20 de Setembro - XV Festival Nacional de Folclore Grupo Danças e Cantares Besclore, Praça da Figueira, Lisboa

30 de Novembro - Actuação Rastrillo 2014 - Feira de Solidariedade Novo Futuro, Centro de Congressos de Lisboa

XI Encontro de Grupos de Cantadores de Janeiras e de Reis, em Santa Maria da Feira

No dia 4 de Janeiro de 2014 participámos no XI Encontro de Grupos de Cantadores de Janeiras e de Reis, em Santa Maria da Feira, organizado pelo grupo de Danças e Cantares Regionais da Feira. O evento teve a participação de mais dois grupos e teve como palco de fundo o salão de festas da unidade hoteleira do Inatel, daquela mesma região.


Trata-se das Janeiras cantadas pelos reiseiros, elementos populares das aldeias, que, agasalhados em mantas ou capotes, vão, ao som de vários instrumentos, cantar de porta em porta às pessoas abastadas, esperando recolher dádivas rendosas. 

Nesta actuação tivemos o privilégio de ter um cenário retratante de uma casa (cozinha) de lavradores humildes, que tão bem representava os usos e costumes de outrora, recordações rugosas daquele outro tempo, rugas que o tempo avassalou, sorrisos rupestres em dias que ninguém rasurou. Era uma vida humilde, aquela, de dedicação e devoção, por vezes a roçar os limites da amargura, coisa dura, vida deles. Futuro semeado nas veias da determinação, valente nação, autêntica. Não vangloriavam o futuro mas abatiam o presente, a trabalhar, produzindo, consumar uma realidade melhor aos vindouros, assim, sem ilusões, vida de quem luta, a trabalhar, sem alucinações. Com o sol, iam, campos cultivados, final de tarde, regressavam, corpos cansados, famílias numerosas, mesa com pão e o que houvesse, sorriam, conviviam, viviam. Sim, era duro, dava trabalho, mas a honra nunca faltou, é verdade, com muito suor ..... a prestação foi excelente e a tão sempre calorosa recepção dos seus humildes proprietários, bem haja ao Sr.Mota , a Dona Rosa e seus três filhos, que numa sequência de boa valência e confraternização nos "mimaram" com um diálogo muito próprio de gente pronta a retratar os seus próximos como se da sua família fossem.

Aqui fica o vídeo da nossa actuação, onde todo este retrato de usos e costumes poderá ser visto, ouvido e sentido, podendo desta forma dar manifesto ao que ainda fazemos, mantemos, representamos!




Texto de Pedro Carvalho e Vera Augusto
Vídeo retirado do YouTube - vídeo recolhido e editado por Pedro Carvalho



HISTORIAL DO GRUPO  DE DANÇAS E CANTARES REGIONAIS DA FEIRA


No início dos anos 80 apareciam grupos folclóricos por todo o lado. No Concelho da Feira já existiam à volta de uma dezena, quando alguém, que era o director do pelouro da cultura na colectividade pragmática do Burgo (Vila da Feira), viu a necessidade de lançar mãos ao trabalho de campo e arrancar para a criação dum Grupo de “antiguidades populares”, num espaço privilegiado, onde nunca houvera algo no género, e onde tanto havia de importante para descobrir e preservar.

Do levantamento e implantação no Grupo, de réplicas de trajes antigos, usados pelo povo da Feira, em finais do Séc. XIX e princípios do Séc. XX, surgiu a colecção de postais de trajes regionais de Santa Maria da Feira. 

Foi feito um levantamento de trajes, danças e cantares, trabalhos e saberes do povo, tudo por via oral, elementos base para a iniciação dum grupo que se apresentou em público pela primeira vez no dia 1 de Maio de 1981. 

De todo o trabalho desenvolvido durante 20 anos, ao serviço da colectividade que o viu nascer, mesmo com certas dificuldades devido à incompreensão de alguns elementos directivos e à falta de apoios, o grupo deixou testemunhos importantes para a história do folclore (tradições antigas), nas Terras da Feira. 

Do levantamento sobre a cultura do linho na região, o grupo fez alguns linhares, e compôs um pequeno livro – “O Linho e as suas tradições em Terras de Santa Maria”. 

Do levantamento de alfaias agrícolas, utensílios domésticos e outros objectos de uso das pessoas no início do séc. XX, (decorrentes dos trabalhos de campo feitos nos anos oitenta), foi recolhida quantidade importante de peças de antiguidades populares, que constituem hoje espólio à guarda do que se espera venha a ser um dia o museu etnográfico. 

Isto, para além de todas as actividades próprias dum grupo, (dito folclórico), que se preze da missão que lhe cabe. E este grupo sempre soube ser isso mesmo, da Feira. 

No decorrer do primeiro trimestre do ano 2000, por razões que não interessa referir neste pequeno historial, deu-se a rotura ente o grupo e a colectividade “madrasta”. O Grupo, com todos os seus componentes , depois de ter sido afrontado pela Direcção e mal tratado num dia de ensaio, sem hesitar, decidiu não pôr mais os pés na “casa” que o viu nascer. E a partir daí, só restavam dois caminhos por onde seguir: ou o grupo acabava ali, ou partia para a criação duma associação. E foi esta a opção escolhida. 

“Sem eira nem beira” fomos acolhidos em casa de um componente do grupo e partimos para a constituição de uma associação, que foi legalizada por escritura de 26 de Junho de 2000. 

Desenvolvemos mais actividades nestes sete anos de independência, do que em 20 anos de vida na colectividade “madrasta” – O Centro de Cultura e Recreio do Orfeão da Feira. 

Já fizemos três viagens aos Açores e uma à Madeira, em regime de permutas, e vamos fazer este ano uma viagem à Terceira, onde vamos participar no Festival Internacional – COFIT – em permuta com o grupo “Modas da Nossa Terra”. 

Partcipamos em todas as iniciativas locais, para que somos convidados, organizamos todos os anos o nosso Encontro de “Antiguidades Populares” e um Encontro de Grupos de Cantadores de Janeiras; organizamos serões e participamos em iniciativas de cariz cultural e recreativo. 

Criamos o Grupo de “Tambores Santa Maria” com características Medievais. Ao terceiro processo de candidatura a sócio efectivo da Federação do Folclore Português, conseguimos ser aceites como “aderentes” – qualidade em que nos encontramos actualmente.

Fonte - http://gdcr-feira.blogspot.pt/